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quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Boletim da Associação de Produtores de Hidromel de SP entrevista o Cena Medieval!

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

A edição de julho do Boletim da APH-SP (Associação dos Produtores de Hidromel de SP) contou com uma entrevista que eles fizeram comigo como autor do Cena Medieval. Falamos sobre hidromel e um pouco sobre o meio medieval no Brasil.


Com a permissão deles, estou publicando o texto da entrevista aqui também – confiram!

A APH-SP é uma entidade existente desde o meio de 2016, criada com o objetivo principal de agregar produtores, revendedores e amantes de hidromel, além de promover e difundir a cultura hidromeleira.

O Boletim, por sua vez, é uma publicação mensal gratuita produzida pelos membros da associação e distribuída digitalmente pela página deles no facebook.

Trecho da primeira página do Boletim deste mês

Como o Cena Medieval acabou se tornando uma das referências da divulgação do hidromel no Brasil, eles me procuraram a mim, o Skald, para fazer uma entrevista, que foi publicada na edição deste mês do Boletim. Veja o texto completo:

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Entrevista


O BAPH entrevista o Rafael “O Skald”, o nosso arauto de Odin e Bardo de tempos d'antanho, que nos falará de um dos canais mais importantes da cena hidromeleira que é o Cena Medieval, seu blog recriacionista, que é muito popular entre os amantes da antiga bebida.

(BAPH): Skald, muito obrigado por nos conceder esta entrevista.

(Skald): Eu é que agradeço pela oportunidade! O hidromel é um tema sobre o qual eu gosto bastante de falar, então é um prazer conversar com vocês, que são produtores e entendedores do assunto.

(BAPH): Os grupos medievalistas sempre existiram em alguns países da Europa e nos E.U.A., mas no Brasil são relativamente recentes (ou estou redondamente enganado?). A que, na sua opinião, se deve esse repentino e vigoroso surgimento em terras brasileiras?

(Skald): Você está certo, é uma coisa recente. O meio medievalista, da forma como vejo, é uma derivação do meio nerd. No começo, há uns quinze anos ou pouco mais, o crescente público nerd tinha poucas opções de lugares pra se reunir. Os primeiros espaços de união desse público foram os eventos de anime e os encontros de RPG. Aos poucos os nichos foram se especializando, e um desses nichos foi o dos medievalistas que, conforme cresceram em número, começaram a ter seus próprios eventos, ao ponto de hoje nós termos algo que pode ser chamado de um meio medieval, ou cena medieval (que foi de onde eu tirei o nome para o blog). Ainda é um meio relativamente pequeno, mas crescendo, e continua conectado com o universo maior, que é a cultura nerd ou cultura pop.

(BAPH): O movimento revivalista, se assim posso chamá-lo, se extende por todo o país ou é mais concentrado em determinadas regiões? Existe alguma tendência clara de evolução?

(Skald): Não constumamos chamar de revivalismo, pois não procuramos resgatar tradições medievais ou coisa do tipo. Uma outra palavra que você pode ouvir por aí é recriacionismo (tradução do inglês reenactment), que se refere à galera que estuda e recria para fins de entretenimento algum determinado período histórico. Um dos tipos mais comuns de recriacionismo na Europa e no Brasil é o recriacionismo da Era Viking. E fora os recriacionistas, a maior parte do público do meio medieval é composta de entusiastas da temática medieval de forma genérica, muitas vezes mais ligados à fantasia medieval (como Game of Thrones e O Senhor dos Aneis) do que à história medieval propriamente dita.

O movimento é mais concentrado no Sudeste e no Sul do país. Tenho ficado sabendo de um ou outro evento surgindo no Nordeste, mas ainda de forma tímida. Difícil falar em evolução, até porque a Idade Media não faz parte da história do Brasil, mas eu acredito que ainda tem algum espaço pra crescer, e acredito que vai sempre continuar sendo um braço da cultura nerd.

(BAPH): Certo, entendi. O apoio e a divulgação que o Cena Medieval dá ao hidromel e em especial ao produto Brasileiro, torna seu blog uma referência quando pensamos em análise de mercado. Isto porquê atinge aquele nicho de consumidores que estão familiarizados com a bebida. Você acredita que o hidromel possa deixar de ser visto como uma particularidade e acabe ocupando um espaço maior no mercado? Digo outros públicos que não os aficcionados.

(Skald): Outra pergunta difícil, rs. Eu acredito que o hidromel tem potencial pra ser uma bebida bastante apreciada, mas falta tempo.

O público dos bons vinhos pode muito bem vir a ser o próximo público do hidromel, já que um bom hidromel, complexo e bem produzido, pode ser apreciado nas mesmas situações que um bom vinho, seja harmonizando com uma refeição sotisticada ou sendo consumido isoladamente, aproveitando os aromas e sabores sutis de cada gole.

Mas ainda falta bastante divulgação para que o hidromel deixe de ser um produto de nicho e possa ganhar mercado. A maioria das pessoas sequer sabe do que se trata, e antes de experimentar tem até certa estranheza. Os aficcionados, como você os chamou, foram um bom primeiro passo, que permitiu e justificou o surgimento de diversos produtores artesanais. Agora, para que o hidromel comece a ser produzido numa escala maior, me parece necessário que ele saia desse círculo e passe a ser conhecido por uma variedade maior de públicos.

(BAPH): Você acredita que haja espaço no mercado para outros produtos medievais como o hipocras, o claret, moretum ou a cervísia e tantas outras mais por exemplo? Existe a demanda por estes produtos por parte da comunidade do Cena Medieval?

(Skald): Quando você fala em “mercado”, eu penso em “lucro”. Existe interesse por parte de quem curte medievalismo? Certamente. Mas existe uma demanda de consumo? Muito difícil dizer...

Eu acredito que o interesse dos medievalistas pelo hidromel veio do fato de ser uma das bebidas dos vikings (importante inclusive na mitologia nórdica) e por aparecer em obras de ficção e fantasia medieval (lembra da cultura nerd, que mencionei acima?). Paralelamente, a moda do homebrew estava crescendo, e diversos produtores relatam que começaram com a produção caseira de cerveja, mas partiram para o hidromel ao procurarem algo diferente. Juntando essas duas coisas, voilà: o hidromel se tornou um produto de nicho para os medievalistas e um elemento obrigatório nos eventos de temática medieval.

Existe interesse do público por outros produtos como esses que você mencionou? Talvez. Eu já fiz hiprocras em casa com vinho comprado no mercado e adorei. O moretum, que você mencionou agora, eu não fazia ideia do que era, mas fiz uma rápida pesquisa e já me interessei. São produtos bem específicos, mas mesmo que a demanda ainda não exista, uma vez que a oferta passe a existir, eles possam no mínimo vir a ser produtos desse nicho medievalista, como o hidromel é hoje.

(BAPH): Bom demais! Os antigos sabiam se cuidar rsrs. Quais são os planos para o futuro do Cena e da comunidade que ele representa?

(Skald): O Cena Medieval nasceu de duas coisas: o meu amor pela escrita e a minha indignação com o fato de que o medievalismo, assim como outras nerdices, sempre foi tratado na grande mídia como uma esquisitice. Então eu decidi criar um canal para falar “seriamente” sobre o tema, apresentando o meio medieval para quem é novo no assunto e ao mesmo tempo funcionando como um local para centralizar informações pra quem já é do meio.

Para o futuro, eu pretendo continuar fazendo exatamente isso, enquanto houve gente interessada em ler o que eu escrevo rs. O site é um hobby que me dá um retorno mínimo, e por isso não posso dedicar tanto tempo a ele quanto gostaria, mas continuo na atividade. Eu gostaria de falar sobre todos os aspectos do medievalismo, mas cada texto demanda uma dose considerável de pesquisa, e acabo não tendo tempo. Recentemente começaram a aparecer outras pessoas interessadas em escrever para o site e isso é ótimo. Quem sabe no futuro não seja um site onde os mais entendidos de cada segmento escrevem, como uma revista especializada?

Sobre a comunidade medievalista, só posso esperar que continue crescendo, e que continuem surgindo novos eventos e oportunidades pra essa galera se reunir.

(BAPH): Certamente o fará e o Cena há de crescer! Agora do ponto de vista pessoal, qual seu estilo predileto de hidormel? Lembra de algum hidromel que tenha te marcado?

(Skald): Pessoalmente, gosto bastante de hidroméis que lembrem bem o aroma e o sabor do mel, se possível com algum açúcar residual, ou seja, gosto que a bebida seja moderadamente doce, sem chegar a ser enjoativa. O que mais me marcou recentemente foi a versão suave do Philip Mead, o hidromel de abril na coluna de hidroméis do Cena, e que foi uma agradável surpresa. Era encorpado e complexo, mas ao mesmo tempo moderadamente doce, lembrando bastante o aroma e sabor originais do mel.

(BAPH): Certamente uma boa dica, eu gostei muito dos que provei dele também! Assim nos despedimos e muito obrigado pela sua entrevista! Espero te reencontrar nestas páginas.

(Skald): Novamente, eu é que agradeço!

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Se você é um apreciador ou produtor de hidromel, curta e acompanhe a página do Boletim da APHSP no facebook, onde o PDF de todas as edições pode ser baixado gratuitamente:


O Boletim apresenta diversas matérias e discussões interessantíssimas sobre tecnicas de produção e outros temas relacionados ao hidromel. Aproveitem!

Confira também a página da associação:

https://aphsp.wordpress.com/

Veja também aqui no Cena Medieval:


OHidromel, nosso artigo contando um pouco sobre a história da bebida e sua importância no meio medieval brasileiro

Osmelhores hidroméis de 2016, segundo os leitores e a redação do Cena Medieval

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