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terça-feira, 7 de junho de 2016

Milord Taverna – Uma experiência imersiva para amantes da Idade Média

Salve, amigos!

Neste final de semana nós do Cena Medieval fizemos algo que queríamos há muito tempo: visitamos a Milord Taverna, em Campinas.


O surgimento de um local como a Milord é uma evidência de que o medievalismo está crescendo e ganhando adeptos no Brasil. E como os leitores aqui do blog sabem, nosso objetivo principal é justamente concentrar informações sobre tudo que se relaciona ao medievalismo no país, então não poderíamos deixar de visitar e falar sobre a experiência.


Como surgiu a Milord Taverna


A casa foi inaugurada em 29 de janeiro deste ano para a imprensa, e no dia 30 para o público.

Alexandro Matos participou da organização da Feira Medieval de Campinas que aconteceu em novembro de 2013, e ali visualizou uma oportunidade num nicho com uma demanda ainda não atendida: o público medievalista. Com efeito, embora já houvesse alguns eventos de temática medieval pelo país, ainda não existia nenhuma taverna medieval.


Dessa forma, a ideia veio em 2014, e a partir dali Alex e Marcio Ruggiero, o investidor, começaram a pesquisa de mercado e a busca por um imóvel adequado, e acabaram encontrando um imóvel centenário ideal para o projeto. As reformas começaram em agosto de 2015, para que a casa pudesse ser aberta em janeiro.

Na parte da pesquisa histórica, a dupla teve apoio de várias pessoas envolvidas com o meio, mas especialmente do amigo e colaborador Dimas Moro Junior, membro do clã Barn Av Einhenjar de esgrima medieval e HEMA, também de Campinas.

A experiência


Ao entrar na taverna, já somos recebidos numa recepção caracterizada, e todos são tratados por Milord ou Milady. A decoração da entrada é cheia de elementos que já remetem à Idade Média.





Mas a imersão de verdade começa no salão: você desce um lance de escadas para um nível mais baixo, amplo e com uma iluminação suave, vinda dos lustres e das lanternas em cada mesa de madeira rústica. Nas paredes, detalhes como armas e bandeiras com brasões nobiliárquicos.






Os atendentes estão todos caracterizados com vestes típicas.



A Milord também incentiva que o público frequente a casa caracterizado, mas não é obrigatório. No sábado, quando estivemos lá, nós do Cena Medieval éramos os únicos com roupas típicas – o resto do pessoal estava curtindo uma experiência medieval em seus confortáveis trajes modernos.




Assim como a decoração, o cardápio foi elaborado com pesquisa histórica, mas algumas concessões obviamente são feitas, pois nem todo mundo faz tanta questão de historicidade, e a casa precisa ser democrática com o público. As batatas, por exemplo, são um alimento do chamado Novo Mundo, ou seja, não eram sequer conhecidas na Europa Medieval. Mas dá pra imaginar um bar sem batata frita hoje em dia? A mesma observação vale para o milho e o tomate.


Além disso, o cardápio dispõe de opções veganas. O conceito de veganismo também não existia na Europa medieval, mas o público vegano é devidamente contemplado.

Por outro lado, o pão era a base da alimentação medieval, especialmente entre os camponeses, e a Milord faz questão de produzir os próprios pães.

A cerveja não é produzida lá, como possivelmente aconteceria numa taverna medieval, mas as marcas Cevada Pura, Adega Galvão e Bee Gold elaboraram, respectivamente, versões exclusivas de cerveja, vinho e hidromel, especialmente para a Milord Taverna.


As atrações musicais também são selecionadas de modo a colaborar na imersão. No sábado, assistimos a apresentação da banda Rebels & Sinners, especializada em música irlandesa. No entanto, aqui fica minha única crítica à casa: a acústica não é das melhores; quando a banda começava a tocar, ficava bem difícil conversar no salão.

O que pedimos


Chegamos com a fome de um camponês depois de um dia de trabalho no campo! Pra começar, as cervejas: pedimos um de cada dos chopes disponíveis, exceto o escuro, que (muito) infelizmente não estava disponível no dia.


Amber Ale, variação da marca Cevada Pura feita para a Milord – caneca 400ml (R$12,00)

“Chope cujos maltes são submetidos a um processo similar ao da caramelização, que deixa notas adocicadas no paladar. Harmoniza com frituras, carnes vermelhas e apimentados.”

Pilsen, marca Cevada Pura (chope claro) – caneca 400ml (R$12,00)

“Chope encorpado, porém suave, ideal para acompanhar petiscos de carnes e queijos e pratos condimentados.”

Indian Pale Ale (IPA), marca Cevada Pura – caneca 400ml (R$12,00)

“Chope com o lúpulo como principal componente, essencial para conservar a bebida nas longas viagens entre Inglaterra e Índia, tem o sabor bem intenso e amargo, perfeito para acompanhar comidas apimentadas ou condimentadas.”

Weiss, Cevada Pura (chope de trigo) – caneca 400ml (R$12,00)

“Tendo como principal ingrediente o malte de trigo, o chope Weiss (ou Weizen) é frequentemente descrito como “pão líquido” devido a ele. Menos amarga que as outras ales, combina bem com queijos e petiscos apimentados.”


Javali Assado (R$ 116,00)

“Acompanha salada camponesa, purê de batatas inglês e milhos cozido. Opcionais: ovos fritos e pão artesana Milord Taverna. Escolha seu molho: pera OU hortelã.”

Segundo o garçom, o molho de pêra é bem suave, então preferimos o de hortelã e foi uma boa pedida. Não é cobrado valor adicional pelos opcionais. O cardápio informa que o prato serve duas ou três pessoas. Como estávamos em 4, pra garantir, pedimos também uma entrada:


Frikadeller (R$ 19,00)

“8 tradicionais almôndegas achatadas dinamarquesas, feitas de carne bovina e suína no molho de cerveja, mais geléia de pimenta e acompanhadas de Batata Milord.”


Hidromel – Moringa 600ml (R$ 42,00)

Como dissemos, o hidromel da Milord é uma versão especial para a casa feita pela marca Bee Gold, de Sorocaba. Detalhe: pedir a moringa tem um custo-benefício bem melhor do que o copo de 150ml, que sairia por R$15,00.

Ficamos bastante tempo por lá, então mais para o fim da noite bateu aquela fome de novo e, aproveitando que o horário de funcionamento da cozinha se prolongou um pouco, pedimos mais um prato:


Smorgasbord (R$ 20,00)

“Versão Milord Taverna da famosa refeição sueca de costela bovina desfiada com cebolas e 4 fatias de pão artesanal Milord Taverna cobertas com crosta de pesto.”

O smorgasbord, além de delicioso, tem um ótimo custo benefício, pela quantidade que é servida. Recomendo para os mais esfomeados!

Ressaltamos o que dissemos acima: os pratos foram elaborados a partir de pesquisa histórica, mas com várias concessões modernas, como a inclusão de milho, batata e tomate, que não eram conhecidos na Idade Média europeia. Se você fizer questão de uma imersão ainda maior, coma apenas pão como acompanhamento para a carne. Mas se você for ver, a maior parte da população também não comia carne de javali – este prazer era reservado apenas aos nobres, e as tavernas eram um local para todos.

E há ainda várias outras opções interessantes do cardápio (na minha próxima visita, provavelmente vou de joelho de porco assado!).

Como estávamos em 4 pessoas na mesa, e considerando o couvert artístico de $10 por cabeça, toda essa parte deu R$ 61,25 por pessoa – um valor razoável para comer e beber bem, fazendo uma refeição exótica e imersiva, ainda mais considerado que ficamos na casa das 18h00 às 02h00.

Pedimos algumas cervejas normais e refrigerantes também, mas não considerei nessa conta.

Antes que perguntem, o ambiente é medieval, mas a taverna aceita pagamentos em dinheiro e cartões de débito e crédito (Visa, Master Card, Dinners Club, Elo e American Express), mas não trabalha com cheques. ;)

Enfim, a experiência foi fantástica, recomendo tanto aos entusiastas e frequentadores de eventos medievais quanto àqueles que estão apenas curiosos e querem ver como é. O público por enquanto tem sido uma mistura de entusiastas e curiosos, mas a casa já começou a fidelizar clientes, e certamente passará a ser uma referência em termos de medievalismo no país.

Outras informações


Endereço: R. Sacramento, 367, Campinas, SP

Nós chegamos cedo e conseguimos parar o carro na rua mesmo, bem próximo da entrada, mas a Milord também dispõe de serviço de valet – R$ 20,00.

Horários de funcionamento:

3ª a 5ª e domingo das 18h à meia-noite (a cozinha encerra às 22h e o bar às 22h30)

6ª e sábado das 18h às 2h (a cozinha à la carte encerra à meia noite, as porções e petiscos encerram à 1h e o bar à 1h30)

Telefone para reservas: (19) 3308-2014

A casa não faz reservas aos sábados! (atendimento feito por ordem de chegada)

Página da Milord Taverna no facebook:

https://www.facebook.com/milordtaverna

Por fim, se você estiver indo de São Paulo, como nós, se prepare para a facada do pedágio: R$ 32,00 (16 na ída e mais 16 na volta), indo pela Bandeirantes.

Informação extra: Quartas-feiras de RPG


Se você já jogou Dungeons & Dragons ou qualquer outro sistema de RPG medieval, sabe que as tavernas são pontos chave de qualquer cenário (e muitas vezes, o local dentro do jogo onde os personagens aventureiros se conhecem e a quest começa).

Mas já pensou na imersão de jogar numa taverna de verdade?

Nas quartas-feiras, das 19h às 22h, acontecem partidas one-shot promovidas pela própria Milord, com três mestres à disposição, tanto para jogadores iniciantes quanto para experientes.

A casa também incentiva que narradores levem seus grupos já existentes para fazer uma partida por lá. Não é necessário fazer qualquer tipo de cadastro, basta chegar e jogar. A reserva da mesa também não é obrigatória, mas é recomendável.

O valor da entrada para quem for jogar é de R$ 5,00 e as comandas de consumo são individuais.

Num futuro próximo, tentarei levar um dos meus grupos de RPG para fazer uma partida especial por lá! Se conseguir fazer isso, farei um post especial aqui no blog, contando como foi a experiência.


Fotos por Renata Saito

Já esteve na Milord? Comente aqui o que achou da casa!

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