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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Crônicas do Mundo Medieval, Parte II – A chegada do último inverno

Salve, medievalistas!



Como prometido, aqui está a segunda parte das Crônicas do Mundo Medieval, uma sequência de três textos preparados pelo Cena Medieval em conjunto com a organização do evento, para contar a história e complementar os teasers.




Ainda não leu a Parte I? Veja antes!


Crônicas do Mundo Medieval, Parte II – A chegada do último inverno

Texto por Skald Rafael e Daniel Felipe
História por Daniel Felipe (organizador do Mundo Medival)

Cinco semanas se passaram desde a partida do mensageiro, Sir Carnoval, e com elas terminou o outono.

Dia após dia, Rei Ellengard observa a estrada de sua sacada. Seus olhos mirando o Sul, ansiosamente a esperar pela silhueta de seu filho. Por vezes, chegava a vê-lo, ao que forçava os olhos, desiludindo-se com o vazio.

Os peticionantes, nobres e plebeus, faziam filas cada vez maiores para ter com o rei, que a cada dia tinha menos paciência ou vontade de fazer qualquer coisa que não fosse olhar pela janela e esperar para abraçar Príncipe Martín, seu amado filho.

O jovem conselheiro Jon, preocupado com a situação de seu rei, convocou um grupo de dançarinos para distraí-lo. Draumur, os melhores do reino, que sempre entretiveram Rei Ellengard em suas festas.


E eles dançaram nos jardins do castelo enquanto o rei assistia de um ponto mais elevado.


Normalmente o rei sorria vendo os dançarinos, mas daquela vez, o máximo que eles conseguiram foi colocar o rei num devaneio ainda mais introspectivo, lembrando-se da época de sua juventude e de como gostava de dançar... não as danças lentas e monótonas da corte, mas aquelas rápidas e agitadas danças circulares que aconteciam nas festas dos plebeus, nas quais ele podia abraçar uma jovem camponesa e sentir o calor de seu corpo, o perfume de sua pele e talvez ouvir o sim de sua risada... Foi assim que conhecera Villenya, a Rainha. E nem mesmo ela conseguia fazê-lo sair de seus pensamentos e aflição.


Após a apresentação dos dançarinos, o rei voltou para sua janela para esperar por seu filho.

Mais uma vez uma silhueta, mais uma vez ele forçou e esfregou os olhos, mas desta vez era mesmo alguém: o grandioso Sir Carnoval, o mensageiro, que retornava sozinho.


O rei, preocupado com o que poderia ter acontecido a Martín, sentiu um tremendo frio e acobertou-se em sua manta. Enquanto olhava a armadura resplandecente de Sir Carnoval se aproximar, os piores pensamentos lhe ocuparam a mente já aflita. O cavaleiro não apenas chegava sozinho, como chegava junto com o inverno... um mal presságio... Não queria sequer pensar... mas... teria o seu filho morrido na luta contra os bárbaros sulistas?

O mensageiro foi recebido no salão do trono.

‘Majestade...’

‘Vejo que retornou sozinho. Aconteceu algo a meu filho? Seja direto’ –  e o rei sentiu que, a depender da resposta, poderia morrer ali mesmo.

‘Não, Majestade... os Deuses favorecem o Príncipe Martin no campo de batalha. Eu o vi brevemente. Quando cheguei ao acampamento ele estava de partida e quem me recebeu foi Sir Allenar.’

O rei respirou aliviado. Recebeu das mãos do cavaleiro um pequeno rolo de papel, selado com o sinete de Sir Allenar, um “A” rebuscado em cera vermelha.

Quando começou a ler, o rei reconheceu a caligrafia de seu conselheiro mais antigo.

Vossa Majestade,

Nossos esforços para conter as hordas bárbaras do Sul têm sido extremos. Sua Alteza e amado filho, Príncipe Martín, segue no campo de batalha a comandar e inspirar nossas tropas.

Temo que lhe seja inviável abandonar as fileiras agora, nesse momento crucial da batalha. No entanto, ciente desse mal que assola Vossa Majestade, sugiro que a regência seja confiada temporariamente a um de nossos mais próximos e estimados senhores.

Como vosso humilde conselheiro, sugiro que se faça um festival, em que os convidados possam escolher dentre os mais respeitáveis nobres aquele que exercerá a regência.


A carta continuava ainda com sugestões e considerações de Sir Allenar sobre nomes de homens e mulheres na corte que poderiam exercer a regência. A despeito do desgosto por ter sua ordem ignorada por seu filho, o rei sentiu um alívio por saber que ele estava vivo e bem.

Martín é mesmo sangue de meu sangue. Ellengard sabia que, quando jovem, também teria permanecido em batalha. Sorriu.

E no fim das contas, a sugestão de Allenar era razoável. Uma grande festa poderia acalmar os ânimos de alguns nobres... Sim, uma grande festa com torneio e artistas, como aqueles dançarinos que ele havia visto mais cedo... E se os nobres pudessem opinar na escolha do regente, talvez houvesse uma chance de paz dentro do reino até o retorno do príncipe... Sim, um festival em seu castelo!

Continua na Parte III...

Veja também aqui no Cena Medieval:



Mundo Medieval: Gravação dos teaser do evento – estivemos presentes na gravação e contamos como foi!


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