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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Taberna Folk

Hail, amigos!

O post de hoje é especial, pois vou falar de um grupo musical que é certamente um dos principais ícones da cena medieval brasileira. Eles surgiram junto com o cenário medieval no Brasil, antes de boa parte dos eventos que temos hoje, e ao longo dos anos contribuíram muito para que a cena crescesse.


E além de estarem presentes em boa parte dos eventos medievais do país, eles organizam anualmente um evento próprio, que é uma das principais festas da nossa agenda medieval.

Um pouco da história do Taberna Folk


O Taberna surgiu, de certa forma, por acaso. Em 2008, Ricardo Amaro, que é formado em música pelo Conservatório de Tatuí, foi chamado para participar de um evento chamado Festa Medieval em Campinas. Porém, apesar do nome medieval, o evento contava apenas com bandas de metal, e o desafio era justamente preparar uma apresentação que fizesse jus à temática proposta pelo nome da festa. Para isso, Ricardo chamou os amigos Hugo Taboga e Luís Henrique Romagnolo, além de sua esposa Karina Moreno, e os quatro ensaiaram um set de 10 músicas para uma única apresentação, incluindo canções celtas, medievais e uma música irlandesa. Nessa época, o projeto era despretensioso e recebeu o nome de apenas “Taberna”.

Mas a apresentação foi tão boa e o entrosamento dos músicos deu tão certo que foi inevitável a vontade de transformar aquilo num projeto de verdade. Além disso, começava a surgir uma demanda de músicos que pudessem animar uma festa de temática medieval. Logo a banda passou a se chamar Taberna Folk, um nome que indica bem aquilo que passaria a ser a proposta do grupo: música de estilo folk, perfeita para animar e trazer o público ao clima de uma taberna nos tempos antigos, de preferência com muito vinho, cerveja e hidromel.


Naquela época, em 2008, a cena medieval do país ainda engatinhava, praticamente não havia eventos medievais da forma como temos hoje. Esses eventos começaram a surgir aos poucos, conforme os grupos medievais também surgiam. Justamente por isso, em 2009 eles organizaram uma pequena festa, onde tocariam basicamente para amigos e conhecidos. No entanto, essa festa acabou sendo a primeira edição do Jantar Medieval, que logo se transformou num grande evento (falarei mais disso abaixo).

Ainda em 2009 a banda gravou seu primeiro CD Demo, intitulado Medieval, Celtic and Epic Songs, que continha uma composição própria da banda (After a hard day), além de seis outras interpretações da banda de canções tradicionais europeias.

Em 2010, Anderson Tosta (mais conhecido como “Bardo”) entrou na banda para tocar violino e harpa, além de trazer mais influências da música irlandesa, seu foco de estudo.


Em 2013 a banda gravou seu primeiro DVD em Cosmópolis (cidade da maioria dos membros), e em 2014 seu segundo CD (sendo que todos esses trabalhos foram produzidos de forma completamente independente).

O Taberna Folk hoje


Hoje eles se denominam um grupo de Música Folk Europeia, pois não se limitam a músicas medievais (estritamente falando, o período medieval vai do século V ao XV). Ou seja, apesar de algumas músicas interpretadas pela banda de fato remontarem ao período medievo, o repertório acaba sendo bem mais variado que isso e inclui canções de períodos históricos mais recentes, advindas principalmente das tradições germânicas, celtas e nórdicas, bem como canções contemporâneas adaptadas para uma roupagem folk.


Da parte medieval do repertório do grupo, podemos ressaltar as canções Saltarello e In Taberna. Saltarello é uma dança antiga, cuja primeira menção conhecida está num manuscrito do séc. XIV de provável origem toscana, e que supostamente foi muito popular nas cortes medievais europeias (essa mesma dança faz parte do repertório do grupo de danças medievais Draumur, de São Paulo). In Taberna é orginalmente um poema secular do manuscrito Carmina Burana, um conjunto de textos datado do séc. XIII. Alguns dos poemas desse manuscrito foram musicalizados em 1936 pelo compositor alemão Carl Orff, sendo esta a origem da versão interpretada pelo Taberna Folk.

Da parte mais moderna do repertório, um ótimo exemplo é a canção Son Ar Chistr, composta em 1929 na língua bretã e que tem sido usada por diversos grupos de música folk pelo mundo. A versão cantada pelo Taberna Folk é baseada na interpretação em alemão dada pela banda holandesa Bots em 1976 (que é uma das versões que popularizou a canção). Em alemão, recebe o nome Sieben Tage Lang.

Uma das muitas apresentações feitas no Sesc Vila Mariana
Outro exemplo, ainda mais moderno, é a divertidíssima Estamos todos bêbados; apesar de ser excelente em sua versão original (lançada em 2006 pela banda Matanza), a música nasceu pra ser interpretada pelo Taberna Folk – é só conferir a letra e a típica história de taberna que ela conta.

Por fim, o Taberna faz também suas interpretações de temas de trilhas sonoras, tais como Concerning Hobbits (uma das músicas mais emblemáticas da trilha sonora de O Senhor dos Anéis, composta por Howard Shore) e a icônica abertura do seriado Game of Thrones (composta por Ramin Djawadi).

É bacana explicar que a música folk pode ser definida como um tipo de música popular que guarda relação com a cultura de um povo ou local. Na Europa os grupos de música folk são comuns e representam verdadeiros resgates culturais, muitas vezes mesclados com elementos modernos. No Brasil, o Taberna é um dos grupos pioneiros nessa temática, e certamente um dos primeiros a fazer um expresso resgate de músicas tradicionais europeias.

Dessa forma, boa parte da inspiração vem do trabalho de grupos europeus que já há bastante tempo trabalham com esse resgate, tais como Die Irrlichter (Alemanha), Stary Olsa (Bielorússia), Calenda Maia (Chile), Rapalje (Holanda), Lúnasa (Irlanda), Faun (Alemanha), Corvus Corax (Alemanha), Chieftains (Irlanda), entre outros.

Foto dando destaque aos diversos instrumentos típicos utilizados pela banda
Em suas apresentações, o Taberna Folk utiliza uma boa variedade de instrumentos antigos e tradicionais que emprestam às músicas uma sonoridade bem folk, tais como mandola, flauta, bandolin, gaita de fole, violino e harpa. Aliados às vestimentas de época e ao entusiasmo do público, proporcionam um ambiente imersivo e muito divertido.


O famoso Jantar Medieval do Taberna Folk


Como se não bastasse animarem os eventos da cena, eles criaram e organizam anualmente, na cidade de Cosmópolis, um evento que é hoje um dos principais da cena.


Como eu mencionei no meu artigosobre O Jantar Medieval do Taberna Folk (publicado logo antes da edição de 2015 do evento), rezam as lendas que a primeira edição, em 2009, aconteceu de forma super despretensiosa: uma festa improvisada, com cerca de 40 pessoas, simplesmente porque a banda, recém formada na época, ainda não tinha onde tocar. Aos convidados foi feito o pedido de que se caracterizassem com trajes medievais.

Mas a festa intimista logo evoluiu para um evento, que desde então se repete anualmente, sempre crescendo em tamanho, atrações e principalmente em número de convidados. A edição de 2015, que foi a sétima, teve em torno de 1000 pessoas presentes.

Apresentação durante a VII Edição do Jantar Medieval
A oitava edição acontecerá este ano, em 11 de Junho. No entanto, como eu disse, este é um dos eventos mais importantes da cena, e os ingressos são super concorridos. A venda acontece cerca de dois meses antes do evento e os ingressos nos últimos anos acabaram em questão de horas. Ou seja, programe-se desde já para comprar seu ingresso assim que a venda começar. Obviamente, publicarei aqui no Cena Medieval assim que eles liberarem a data de abertura das vendas. Acompanhem o blog!

Por hoje, deixo vocês com o Teaser do Jantar Medieval, que contém imagens da 5ª edição (2013) e a canção In Taberna, que citei acima:

4 comentários:

  1. Eis aí uma das melhores (senão a melhor) bandas folk do Brasil! E o mais incrível de tudo é saber que sua origem advém de um, digamos, "proposital acidente". Indubitavelmente marcou o início da Cena Medieval brasileira que antes da segunda década do século XXI era extremamente incipiente. Vida longa aos grandes camaradas do Taberna Folk!

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  2. Realmente uma surpresa para mim saber que existam grupos promovendo medievalismo no Brazil mesmo pq nosso pais nao teve esta fase historica.Sou um blogueiro e escritor medievalista ha mais de 20 anos mas conhecia somente um movimento literario voltado para a heranca historica da Idade Media
    no Brasil.
    Tenho dois Blogs Wordpress cujo conteudo puramente medievalista :
    djalmabina.wordpress.com
    geatland.wordpress.com

    Curtam meu espaco medieval e comentem por favor !

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    Respostas
    1. Pois é, Donovan! O medievalismo é relativamente recente no Brasil, mas a cena tem crescido bastante nos últimos anos, cada vez com mais eventos, grupos e entusiastas.

      Como você mesmo disse, o Brasil não teve uma "Idade Média" como a conhecemos e estudamos, então o gosto dos medievalistas brasileiros é muito mais uma questão de romantização de um período histórico do que uma questão de herança histórica.

      Pelo teor dos seus blogs (muito bacanas, por sinal), dá pra ver que você também é um medievalista entusiasmado. Tente ir em algum dos eventos da cena, se puder! Você vai curtir bastante.

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  3. Eu estava na primeira, e sim, foi só para os amigos mais "chegados", mas foi sensacional!

    Parabéns a todos amigos, sucesso sempre!

    Abraços.

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