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terça-feira, 28 de junho de 2016

Crônicas do Mundo Medieval, Parte III – Os candidatos à regência

Salve, aventureiros da fantasia medieval!

Ansiosos pelo Mundo Medieval? O evento acontecerá nesse sábado, 02 de Julho, na cidade de Mauá (SP).


Hoje, finalmente, trazemos a terceira e última parte das Crônicas do Mundo Medieval, que foi uma curta sequência de textos preparada pelo Cena Medieval em conjunto com a organização do evento, para contar a história e complementar os teasers.


Ainda não leu as duas primeiras partes? Veja aqui a Parte I e a Parte II!


Crônicas do Mundo Medieval, Parte III – Os candidatos à regência

Texto por Skald Rafael e Daniel Felipe
História por Daniel Felipe (organizador do Mundo Medival)

A sala do conselho era pequena e continha poucos móveis, incluindo uma mesa no centro, com cinco cadeiras. Havia duas portas: uma delas dava para o salão do trono, e era usada pelos conselheiros. A outra, na parede oposta, era de uso privativo do Rei e de quem estivesse com ele.

Três das cadeiras estavam ocupadas por três conselheiros do rei: Edrik, um sábio ancião mais antigo que o próprio rei, de cabeça careca e barba branca comprida; Sir Timeo, um homem de meia-idade e aparência imponente, com seu rosto quadrado e suas mãos grandes apoiadas na mesa; e Jon, o mais jovem, mais tímido e menos impressionante dos conselheiros (embora fosse de longe o mais inteligente).

A quarta cadeira, há dois anos desocupada, pertencia a Sir Allenar, o conselheiro da coroa que havia recebido a missão de acompanhar e auxiliar o Príncipe Martín, único filho do Rei, na campanha militar para lidar com os bárbaros sulistas que estavam causando problemas com os comerciantes na fronteira do reino.

Os três homens esperaram por um quarto de hora antes que o Rei Ellengard aparecesse por sua entrada privativa e ocupasse a cadeira com o encosto mais alto no centro da mesa.

‘Meus caros, espero que tenham recebido minha mensagem a tempo, e confio que tenham preparado a lista que pedi.’

E eles de fato haviam recebido a mensagem, que continha instruções para elaborar uma lista de nomes de nobres que poderiam exercer a regência. Edrik e Jon entregaram suas listas escritas para análise do rei. Sir Timeo, contudo, hesitou, e falou com sua voz grave em tom receoso.

‘Majestade… como o senhor sabe melhor do que qualquer um, foi muito difícil manter o reino em paz durante todos esses anos. Há muitos senhores de terras que estão a um passo de atacar desafetos vizinhos. O Senhor é o único que possui autoridade sobre todos.’

A manifestação de Sir Timeo pareceu dar ao ancião Edrik o incentivo que faltava para dar voz a palavras reprimidas.

‘Hei de corcordar com Sir Timeo, Majestade.’ E todos naquela mesa sabiam o quão raro era que Timeo e Edrik concordassem em qualquer coisa. ‘Depois da Guerra do Rei do Vinho, o senhor conseguiu uma paz tênue... e temo que apenas o senhor, ou seu filho Martín, sejam capaz de mantê-la.’

A Guerra do Rei do Vinho havia acontecido há doze anos. Era chamada assim pois fora travada contra o reino vizinho, que possuía a maior parte das vinícolas que abasteciam todo o território de Ellegard. No final o Rei do Vinho fora derrotado e seu reino fora completamente anexado. Terras e vinícolas foram concedidas a cavaleiros, lordes inimigos foram perdoados mas perderam parte ou a totalidade de suas terras, de modo que o território do reino hoje era uma colcha de retalhos, costurada pela diplomacia do Rei.

Apenas Jon não tinha nada a dizer sobre essa guerra, pois à época dela ele tinha menos de dez verões. Apenas anos depois ele se tornaria copeiro do Rei, e Ellengard, percebendo sua rapidez de raciocínio, o tornaria conselheiro (para a revolta dos homens mais velhos na mesa do conselho, e até da própria rainha).

‘É por isso que haverá uma votação’ disse o Rei, com autoridade. ‘Todos os nobres e senhores de terras importantes foram convidados para a grande festa. Quem comparecer terá direito a voto, e o resultado será validado por mim. E apenas até o retorno do meu filho.’

O Rei suspirou e olhou para as próprias mãos durante alguns segundos antes de continuar, mais devagar e com menos energia na voz.

‘Vejam, meus caros... eu não aguento mais. Como vocês mesmos disseram, houve muita luta para fazer com que o reino se tornasse o que ele é hoje, e eu dei toda a vida que podia para isso. Cada dia é um martírio para os meus ossos cansados e a minha mente constantemente viaja para longe do meu corpo. O legado agora é do meu filho, mas até que ele retorne, alguém precisará sentar no trono. E seja lá quem for, confio em vocês para aconselhá-lo tão bem como vocês tem feito a mim.’

‘E depois que o Príncipe Martín voltar, Majestade? Não há risco... dessa pessoa... ter se apegado ao poder?’ perguntou Jon, com sua voz sempre insegura.

‘É um questionamento pertinente como sempre, Jon. Esse é um dos motivos para a reunião de hoje. Vocês me trouxeram dezenas de nomes, como eu ordenei. Vocês conhecem bem os nobres de suas respectivas regiões. Vamos riscar os nomes com maior possibilidade de deslealdade, selecionar aqueles com mais qualidades e melhores conexões, e no final chegar a uma lista de poucos nomes. Haverá uma votação, sim, mas quem dará as opções serei eu.’

Os conselheiros entenderam o recado. A votação deveria dar aos nobres a impressão de que estavam escolhendo seu regente, mas na prática a coisa toda seria conduzida pela vontade da coroa. A sugestão de Sir Allenar havia sido realmente inteligente.

Aquela reunião do conselho deveria durar algumas horas, mas durou dois dias inteiros. Audições com o Rei foram postergadas, obrigações administrativas dos conselheiros foram delegadas, e a organização da grande festa foi tocada pela Rainha Villenya, que de quando em quando entrava na sala do conselho com os criados e garantia que os copos de todos estivessem cheios de vinho durante os trabalhos.

No final, o Rei e seus conselheiros chegaram a três nomes.

Sir Edwal, combatente valoroso e herói da Guerra do Rei do Vinho;

Lady Mellyna, articulada e carismática senhora de terras; ou

Sir Agmar, comerciante experiente e muito rico, com muitas conexões pelo reino.

Os três foram convocados ao castelo e compareceram nos dias seguintes. Juramentos de lealdade foram renovados e presentes foram trocados entre o Rei e seus candidatos à regência.

A menos de uma semana da tão aguardada festa, não havia outro assunto que fosse falado nas ruas das cidades e nos vilarejos. Todos queriam uma chance de estar no castelo no dia das festividades, e acima de tudo, todos queriam saber quem ocuparia o trono do Rei Ellengard.


Veja a continuação dessa história durante o evento no sábado!



Veja também aqui no Cena Medieval:




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