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sábado, 6 de julho de 2019

Meus dois centavos sobre O Senhor dos Anéis in Concert


Nesse último final de semana rolaram as sessões do tão esperado concerto e eu, como medievalista e nerdão inveterado, não poderia deixar de ir. E quando eu digo "tão esperado", é literal, porque o ingresso já tava comprado há uns seis meses, hehehe...


Já comentei em outros posts aqui do blog sobre como considero que o Senhor dos Anéis, tanto na versão dos livros quanto dos filmes, foi algo importante pra formar o que hoje é o medievalismo na cultura pop. Um evento desses, então, é uma coisa que a gente não poderia deixar de ver.


A música do compositor canadense Howard Shore sempre foi um dos elementos que fez da trilogia de O Senhor dos Anéis algo tão especial. Parte do que nos faz imergir tão profundamente na Terra Média é que cada cenário tem sua música própria, única, indistinguível. O maior exemplo de todos talvez seja Concerning Hobbits, a música que nos faz automaticamente pensar no Condado e sua atmosfera pacífica e bucólica. Pessoalmente, minhas favoritas são as músicas tema de Rohan, como The King of the Golden Hall e Return to Edoras (que na verdade não foram tocadas ontem, porque são do segundo filme). As músicas das cenas de ação, como A Knife in the Dark, com seus poderosos arranjos de coral, tem o poder de provocar tensão e sensação de urgência.

(Inclusive, vale dizer que um dos grandes problemas da trilogia do Hobbit é não ter criado essa atmosfera de imersão nos cenários com músicas tão marcantes, mas isso é assunto pra ser desenvolvido em outro post).

Howard Shore e Peter Jackson, 2002, foto de David Gleeson
As sessões aqui em São Paulo rolaram no Espaço das Américas, com a Orquestra Sinfônica Villa Lobos e condução do maestro Adriano Machado. Ver essas músicas ao vivo é uma experiência nova. Com mais de 250 músicos ao vivo, é possível perceber a composição de uma forma diferente e aproveitar um pouco melhor a riqueza dos arranjos.

Em muitos momentos era possível perceber a presença de instrumentos que não brilham tanto da versão editada para os filmes, e em outros momentos alguns instrumentos foram exautados. Nas partes do Condado, por exemplo, a linha do violão (acho que era o violão, pelo menos) foi tocada num volume consideravelmente maior, permitindo uma outra percepção.

E a maior diferença de todas fica nas partes do coral. Por mais que se siga a partitura, a voz é algo que varia mais do que os instrumentos, então ver o coral e os solistas cantando as músicas ao vivo foi outra coisa. Nos solos, especialmente, era possível notar as variações e diferenças de interpretação nas músicas (o que é, via de regra, o que faz música ao vivo ser algo tão especial). Imagino que os solistas de canto sejam músicos gringos que tenham vindo especialmente para as apresentações por aqui, mas não busquei essa informação precisamente (se alguém souber, pode colocar aqui nos comentários).

Como crítica, vale dizer que o espaço do espetáculo não foi muito bem pensado. As cadeiras eram desconfortáveis pra ficar mais de três horas sentado, eu saí de lá com as costas destruídas. Os setores dos acentos eram muito planos, não havia a variação de altura necessária para que as pessoas nas fileiras mais afastadas pudessem ver propriamente.

Vale dizer que o filme em si, de certa forma, atrapalha um pouco. Parece irônico, mas o fato do filme ser exibido na íntegra no telão, na minha opinião, mais atrapalha do que colabora com a experiência. Os filmes a gente pode ver em casa (a maioria de nós já viu várias vezes); ali no concerto o foco deveria estar inteiro na orquestra e nos músicos, mas quando a gente olhava pra frente e o telão estava muito maior do que os músicos em si, ficava até difícil não olhar pro filme rolando. Sei que a proposta era essa (ver o filme com música ao vivo), o que não deixa de ser legal, mas poderia ser ainda melhor se o foco fosse de fato a orquestra.

Mas isso são comentários de um fã crítico que na verdade saiu bem feliz do espetáculo. Como eu disso no início do post, O Senhor dos Anéis, é uma das obras responsáveis por difundir a visão romantizada da Idade Média e portanto criar tantos medievalistas na nossa geração. Ver essas músicas executadas ao vivo é algo especial que qualquer fã valoriza muito.

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