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terça-feira, 16 de abril de 2019

Resenha do V Jantar Medieval Ordo Draconis Belli

A noite era nublada, a chuva começava a cair, fraca mas insistente. Porém isso não desanimava os viajantes que vinham de longe para aproveitar aquela noite especial.


Chegando, era possível ver desde longe: as barracas da feira pulsavam com mercadores ansiosos pela chegada dos primeiros visitantes. À distância, o som metálico de uma bigorna trabalhando podia ser ouvido, simultaneamente a um trio de bardos tocando violino, violão e bandolim. Era o quinto ano consecutivo do Jantar Medieval Ordo Draconis Belli começando.


Os deuses haviam agraciado a Ordo Draconis Belli com mais um ano de existência, o oitavo desde o inicio da jornada do clã, e para comemorar os guerreiros mais uma vez promoviam um festival, que por tradição já atraía viajantes de diversas terras.



Quem chegava encontrava belas mesas guarnecidas com pães, pastas e queijos. O vinho e a cerveja logo começariam a fluir. A chuva insistente fazia com que os visitantes se abrigassem no espaço coberto do salão principal, que não tardaria a se transformar num grande espaço de dança. O trio de bardos que fazia a primeira apresentação da noite entoava tradicionais canções celtas.


– Qual o nome deste grupo musical? – perguntou um viajante curioso que entrava no salão.

– Thistle – respondeu alguém por ali.

– Como as flores?

– Não poderia haver nome mais apropriado, não é? – disse o outro, sem tirar os olhos da barda ao centro, que não apenas cantava como tocava o violino.

Apesar da chuva, os mercadores faziam o possível para atrair clientes. No centro do mercado molhado, um pelourinho vazio servia de aviso àqueles que ousassem causar problemas – mas a noite foi tão tranquila que os únicos a ocuparem o instrumento de pública humilhação foram visitantes curiosos e brincalhões que nada deviam às autoridades. Também na área central do mercado havia uma arena improvisada com cordas, estacas e fardos de feno, guarnecida até com armas falsas, feitas de um estranho material macio e flexível, para aqueles que quisessem se divertir e acertar seus companheiros sem risco de lhes tirar sangue.







Para ajudar os mercadores a atrair o ouro dos viajantes, um casal de experientes bardos tocava na área do mercado.

– Esses não são aqueles bardos itinerantes, Olam Ein Sof?

– São eles mesmos!

– Oras, soube que eles estavam viajando e tocando pelo Velho Mundo...

– Ah, eles vão em voltam, mas todo ano estão aqui, nunca deixam de tocar nesse festival.



No salão principal, o prato principal foi servido: travessas de carne de porco e frango foram colocadas nas mesas. Para espantar o frio nos ossos, havia também caldos fumegantes de cenoura e ervilha. Tomou conta do palco então um outro grupo de bardos, que se denominavam Oaklore. Por mais de uma hora emocionou o público com canções que falam da Terra Média, de Skyrim e de outros lugares lendários.


Tal foi a inspiração provocada pelos bardos do Olklore que uma das visitantes do evento decidiu marcar na pele, ali na hora, o símbolo de um dos reinos da Terra Média!



– Fogo! – gritou alguém.

– Onde? – perguntaram outras pessoas assustadas.

E a resposta estava na verdade na boca de artistas pirofágicos que, do lado de fora do salão, deafiavam a garoa noturna, cuspindo labaredas para o alto.



Vendo que a multidão apreciava as chamas, dois guerreiros decidiram chamar atenção. Um deles munido de arco e flecha, o outro de uma tocha. Ninguém sequer piscou enquanto o arqueiro mandava flechas incendiárias em direção a duas tendas abandonadas, que queimaram para acrescentar calor e luz à noite.




Dentro do salão principal, um arauto anunciou a entrada do grupo Draumur, e as pessoas abriram espaço para a apresentação de danças palacianas que tradicionalmente ocorria no festival.






A noite se aproximava do fim e, com a ausência de baderneiros que merecessem punição, os guerreiros do clã ficaram tão entediados que começaram a lutar entre si. O som do choque de aço contra aço, contra madeira e contra couro preencheu o ar, as pessoas em volta gritavam torcendo por seus combatentes favoritos.












Finalmente o último grupo de bardos a se apresentar na noite – e o mais esperado – assumiu o palco.


– Ei, não havia uma barda nesse grupo?

– Ela deu à luz uma criança recentemente,

– Que os deuses a abençoem.


A apresentação começou e o o bardo que ficava no centro do grupo proferiu a a mesma frase que ele repetia todos os anos, mas que sempre surtia o mesmo efeito de animar o ambiente:


– Nós somos o Taberna Folk! Bebam, dancem e aproveitem como se estivesse numa taverna dos tempos antigos!

As pessoas obedeceram, e ignorando a tontura derivada de litros de cerveja (ou talvez incentivados por ela), dançaram, beberam e festejaram até o último momento, quando chegou a hora das caravanas começarem a retornar para suas respectivas terras, deixando para trás a fumaça das fogueiras que se apagavam e levando as lembranças de uma grande noite de festa.




E assim foi o V Jantar Medieval Ordo Draconis Belli!

Esse ano decidi fazer uma resenha de um jeito diferente, pra variar. Curtiram? O evento rolou nesse último sábado, 13 de abril, como sempre em Socorro/SP. Os ingressos custaram entre R$ 145,00 (1º lote) e R$ 165,00 (2º lote). Para quem saía da capital, havia os ônibus oficiais do evento saindo do metrô Carandiru por R$ 50,00 (ída e volta). Para quem ía por conta própria até Socorro, o estacionamento era gratuito.


Se você não conseguiu ir esse ano, não se preocupe – ano que vem certamente tem mais!


Confira as resenhas da edições anteriores do Jantar da Ordo:



II Jantar Medieval Ordo Draconis Belli (2016)

III Jantar Medieval Ordo Draconis Belli (2017)

IV Jantar Medieval Ordo Draconis Belli (2018)

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