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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Resenha do Odin’s Krieger Heathen Edition - Curitiba / PR

 
Odin’s Krieger é um evento anual que até este ano ocorria apenas em São Paulo, tendo sua primeira edição em Curitiba no dia 25 de novembro de 2016. Sendo consolidado como um grande festival ao lado outros mais em São Paulo, a edição de Curitiba trouxe a banda local de folk rock Confraria da Costa, os paulistanos do Hugin Munin e uma das grandes atrações da cena folk/viking metal mundial, a banda holandesa Heidevolk. O evento foi relizado no Jokers pub, casa onde também se realiza o Curitiba Celtic Fest e outros festivais de renome como Psycho Carnival, além de possuir um papel importante na cena da música celta de Curitiba.

Foto por Jokers Pub

Mesmo antes das 19h, o público já estava em massa na frente da casa de shows, onde aguardavam a abertura do local e confraternizavam. Muitos estavam em trajes típicos de eventos folclóricos de temática norte européia. A entrada não causou aglomeração ou filas extensas, já que o público gradativamente adentrava e se estabelecia no salão Queirolo, ao lado da entrada, onde haviam mesas e o balcão do bar principal.

Tendo o evento sido realizado no hall e palco traseiros onde havia espaço no mesanino e na pista principal, rápidamente os fãs da banda curitibana Confraria da Costa se dirigiram a frente do palco para o show de abertura. Abriram o show com a música Cia de Canalhas, um dos temas mais conhecidos da banda. Com temas que contam lendas sobre piratas, causos da vida de marujo e uma sonoridade folclórica/rock'n roll, a banda empolgou a muitos com a sinergia entre banjo, violão, violino e demais instrumentos, garantindo um show com excelente qualidade técnica e um setup muito bem regulado. Esta banda deu um diferencial na noite, seguindo a fórmula da diversidade equilibrada, com estilos e sonoridades diferentes em cada banda a se apresentar no palco. O tema Marcha Turca em versão altamente folclórica chamou a atenção pela virtuosidade do violinista

O som estava claro e bem equalizado. Muitos cantavam as letras de temas conhecidos da banda como Balada dos mortos, Oh Garrafa e Motim, entre outros, finalizando com Rússia Reversa, És Cadavérico e Preparar, Apontar, Fogo! Deixo aqui um destaque para os solos de violino de Richard Lemberg e o vocal rasgado acompanhado do banjo e a flauta transversal de Ivan.


Foto por Raoni Paes


No intervalo, os presentes aproveitaram para conferir os expositores. O stand do festival Odin’s Krieger tinham camisetas do evento, ao lado do stand do hidromel paulista Mjödr e da loja Volk Rúna, com artigos de vestimenta escandinava e chifres para bebida, os populares drinking horns. Havia também um pequeno stand com produtos da banda Confraria da Costa.



Foto por Raoni Paes



Os paulistas do Hugin Munin subiram ao palco executando logo de cara a parede de som Swords Speak Louder, um tema representante do estilo pelo qual são conhecidos: Viking death metal sem frescuras ou firulas. Com um som cru e calcado em melodias pesadas, a banda teve o show com o som mais brutal da noite, tocando músicas de vários álbuns da banda como Flight of Ravens e Lords of War, intercalando suas músicas com interações e elogios ao público, que ora batia cabeças e hora se quebrava no mosh.

O som de uma das guitarras aparentava estar um pouco “abafado” em alguns momentos nas músicas intermediárias, algo que logo foi corrigido. Encerraram com Look Skyward com o que parecia ser uma energia acumulada para essa última música e mostrando garra.

A apresentação da banda denota uma evolução em vários aspectos nestes últimos nove anos em que estiveram na estrada e firma mais uma vez seu nome em Curitiba como uma das referências contemporâneas do death metal nacional.


 
Foto por Raoni Paes
Para muitos que aguardavam a atração principal da noite, um dos pontos altos do evento foi o combate viking executado pelo grupo curitibano Skjaldborg, um clã que pratica também HEMA e está ativo a mais de dois anos. Trazendo uma grande interação com público, o grupo não poupou seu suor e seus escudos, demonstrando na prática um combate enérgico em um espaço circular que abriram em meio ao público que lotava o salão principal.

Foto por Raoni Paes


A formação era constituída de três duplas (seis guerreiros), cada dupla com equipamentos diferentes. A primeira dupla possuía dane axes, machados no arcaico estilo dinamarquês e vestiam malhas de anéis. A segunda dupla empunhava machados barbados, clássico artefato de duas mãos e vestiam armaduras do tipo lamellar de couro. A terceira dupla empunhava espadas vikings (aparentavam algo como réplicas das do sec. IX) e vestia armaduras lamellar de aço. Demonstrações foram executadas no palco e em meio aos presentes. Uma batalha em grupo rendeu a maior interação com o público dentre todas outras, onde os presentes bradavam ao som dos escudos, espadas e machados num frenesi digno de "berserkers"; um verdadeiro espírito viking aflorara no local. O grupo logo chamou a atenção de membros da banda Heidevolk, que visívelmente impressionados, pausaram sua passagem de som para tirarem fotos dos combatentes em ação. Deixo aqui uma menção honrosa ao Clã Skjaldborg pela grande performance.

Finalmente, após todas as atrações anteriores, sobe ao palco a aguardada banda holandesa Heidevolk, saudando o público curitibano que pela primeira vez os acolheu em um festival local. Com sua marcação característica e uma grande expectativa por parte do público, abriram o show com Winter Woede, canção que começa com sua marca registrada, o dueto vocal em coro entre os vocalistas Lars “Bláhrafn” e o novo membro Jacco de Wijs.

Algo que chamou a atenção, foi que o público cantava esta e muitas das demais músicas quase como se fosse em sua língua nativa, demonstrando que eram em peso grandes fãs da banda.



Foto por Raoni Paes

Seguiram com Ostara, e De Toekomst Lonkt, entre outros temas conhecidos como Urth e Drankgelag, mas foi realmente em Saksenland e Dondergod que conseguiram empolgar de forma fabulosa o público na pista e no mezanino, quando pediram para que ecoassem o refrão “Donar!” (evocação ao Deus do trovão “Thor” em antigos dialetos germânicos).

Ninguém de pé aparentava muito cansado para vibrar com os épicos temas, ainda mais quando emendaram Als de Dood Weer Naar ons Lacht. Este tema em particular, oriundo do álbum “Batavi”, possui uma pegada rápida e se inicia com um grito visceral do baixista Rowan Roodbaert e foi uma das execuções mais fidedignas às gravações, empolgando muito a todos.



Foto por Raoni Paes


Entre as músicas, alguns comentários foram tecidos em diferentes lugares da casa sobre o estilo vocal do novo vocalista Jacco de Wijs. Foi observada alguma não conformidade com os vibratos utilizados em todas as músicas, algo que caracteristicamente não ocorria entre vocalistas antigos. Esta mudança na composição vocal agradou a alguns, mas críticas eram bastante observáveis entre os que esperavam um estilo semelhante ao do antigo vocalista, como é audível nas gravações em estúdio. Felizmente a expectativa dos fãs assistirem o show não permitiu que este se ofuscasse por essa mudança no vocal.

A música Het Bier Zal Weer Vloeien que invoca cantos de tavernas, uma tradição medieval da Europa, foi admirada silenciosamente pela maioria, salvo no coro de fundo “Hey-o”, um misto de respeito e admiração por este tema tão folclórico.


Foto por Raoni Paes

Walhalla Wacht, Opstand der Bataven foram outros pontos altos, mas as músicas mais aguardadas do show de forma unânime foram Nehalennia e a icônica versão metal de Vulgaris Magistralis (originalmente da banda Normaal).

Em Nehalennia o refrão “Voorwaarts” era bradado em uníssono em volume incrívelmente alto por praticamente todos presentes. Já em Vulgaris Magistralis, a vocalização “Arrú” foi repetida em plano de fundo durante toda a música, em tempo correto.

Vídeo por Juliana Casellas
De fato, esta vocalização (Arrú!) foi incessantemente repetida em quase todos os intervalos entre as músicas, tamanha era a expectativa para este gran finale, que encerrou com classe esta primeira edição do Odin’s Krieger em Curitiba. Ao passo que o público foi lentamente se dirigindo ao caixa, integrantes do Heidevolk autografavam materiais e conversavam humildemente com todos, algo muito importante de ser notado, pois apesar de ser uma grande banda, demonstraram serem pessoas amigáveis e dispostos a conversar com os fãs.
A conclusão é satisfatória, um evento que reuniu bandas distintas e ocorreu sem maiores atrasos, tendo uma boa qualidade de som no local e um ambiente agradável.
Fique ligado e siga o blog A Cena Medieval para mais resenhas como esta!

Veja também aqui no Cena Medieval:



Odin’s Krieger Heathen Edition – São Paulo: A segunda apresentação do Heidevolk, e mais quatro grandes nomes da música folk brasileira!

Heidevolk - Artigo sobre a banda Heidevolk (Folk Metal holandês)

Um comentário:

  1. PARABENS RAONI!!!OBRIGADO PELAS SUAS PALAVRAS E EXCELENTE TRABALHO !!!
    RICHARD-VIOLINISTA-CONFRARIA DA COSTA

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