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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Resenha do II Aniversário Schola Militum: feira, torneio e um fidedigno banquete medieval

Fotos da Feira por Willian Dobler
Fotos do Banquete por Lilian Kim
Salve, medievalistas!


Neste sábado (23/07) aconteceu a comemoração do segundo aniversário do grupo Schola Militum, em São Paulo, com direito a feira medieval, torneio de soft combat e um sensacional banquete medieval.

Os três eventos aconteceram no mesmo lugar: Associação Beneficente dos Provincianos Osaka Naniwa Kai, pertinho da estação Vila Mariana do metrô.

II Feira Schola Militum


Era a primeira coisa que as pessoas viam ao entrar no prédio. Como de costume nos eventos de temática medieval, houve diversos expositores de produtos do meio, a maioria artesanais, incluindo roupas medievais e armas para HMB (Historical Medieval Combat, ou Combate Medieval Histórico). Não era necessário comprar ingresso para visitar a feira.






 Havia também uma arena soft combat (ou swordplay) administrada pelo grupo Draikaner. Pelo valor de R$ 2,00, qualquer pessoa podia pegar uma das armas de espuma do grupo e entrar na arena para duelar com um amigo.


I Torneio de Soft Combat Schola Militum


O torneio aconteceu no andar superior do prédio, na parte da manhã. O Schola Militum é um grupo de HEMA (Historical European Martial Arts) e HMB (Historical Medieval Battles). Ambas as modalidades são tradicionalmente praticadas com armas reais (de ferro, sem corte). Mas os organizadores consideram que o Soft Combat (prática feita com armas acolchoadas com espuma) seja uma porta de entrada para as demais modalidades de luta medieval, não apenas pelo menor (ou inexistente) risco de lesões graves nos combates com as armas de espuma, como também pela maior facilidade na produção ou aquisição de equipamentos, em comparação com os salgados preços das armas de ferro, e especialmente das armaduras usadas no HMB.

Por esses motivos, o pessoal do Schola Militum decidiu que o Soft Combat seria a melhor modalidade para o seu primeiro torneio. Além dos grupos paulistas, houve participação de membros do grupo Batalha Cênica de Salvador (Salvador, BA) e Casa Vieira Turaine (Rio de Janeiro, RJ).

Os resultados do torneio por modalidade foram os seguintes:

Espada e Broquel
1º Lugar: Daniel Turano (Casa Vieria Turaine)
2º Lugar: Eduardo Souza (Batalha Cênica Salvador)

Espada e Escudo
1º Lugar: Mauro Vieira (Casa Vieria Turaine)
2º Lugar: João Paulo Zerbinatti (Amigos da Montanha)

Espada Longa
1º Lugar: Guilherme Cunha (Casa Vieria Turaine)
2º Lugar: Mauro Vieira (Casa Vieria Turaine)

A taxa de inscrição no Torneio era de R$ 20,00 (uma modalidade), R$ 30,00 (duas modalidades) ou R$ 40,00 (três modalidades).


III Banquete Medieval Schola Militum


No fim do dia, a feira foi desmontada para dar lugar ao banquete, a melhor parte da comemoração do aniversário do grupo. O ingresso custava R$ 150,00, e o competidor com a maior pontuação no torneio que aconteceu mais cedo ganhou um par de ingressos.

A experiência do banquete começou pelo belo convite, que era selado com cera e sinete.




Na entrada, enquanto os convidados se acomodavam, houve apresentação do duo Clanna Iúr, com suas canções que exploram o universo da música tradicional dos países de descendência celta.


E durante o restante o jantar, a música ficou por conta do Olam Einf Sof, cujas canções de sonoridade medieval proporcionaram uma ambientação excelente, agregando imersão ao clima do banquete.



Numa pausa na apresentação do Olam, as meninas do Dracarys fizeram sua apresentação de dança.


Todas as receitas foram preparadas a partir de uma profunda pesquisa histórica por Tarcísio Lakatos, o cabeça do Schola Militum, pois a proposta era dar aos convidados uma experiência gastronômica autenticamente medieval.

Houve especial atenção à Teoria dos Humores, que vem da antiguidade e ainda permeava o pensamento popular dos medievais. Trata-se da explicação racional que se tinha para a saúde e para a doença, segundo a qual as enfermidades eram derivadas de um desequilíbrio entre os então chamados humores (quente, frio, seco e húmido), desequilíbrio este que, por sua vez, seria causado (ou ajustado) pela alimentação. Dessa forma, cada alimento deveria ser equilibrado entre esses elementos.

Na mesa, foram disponibilizados apenas um prato e uma colher, ambos de madeira, e uma caneca, que os convidados poderiam levar para casa depois como lembrança. Cada um deveria levar a própria faca, pois era um utensílio pessoal que um medieval normalmente carregaria consigo, e seu próprio garfo, se quisesse.


Foi um banquete de quatro courses e uma sobremesa:

Primus (Entrada)
Pão
Manteiga
Cozido de carne e cevada


O clássico da Idade Media: sopa e pão. O homem medieval comia muito pão, portanto este não poderia deixar de ser um elemento importante da refeição. O mesmo pode se dizer dos cozidos e ensopados, presentes nas mesas dos nobres assim como nas estalagens para viajantes.

Secundus
Metz
Chyches
Molho Cameline
Molho Honey Mustard

Neste momento, cada convidado foi servido também com um trencher, que é basicamente um pão grosso feito para servir como prato e absorver os líquidos dos alimentos depositados sobre ele. No final da refeição, o pão humedecido com os molhos poderia ser comido (ou dispensado e dado aos pobres, como aconteceria num banquete nobre da Idade Média).


“Metz” é uma palavra genérica para cortes de carne grelhada e “Chyches” são grãos de bico assados e depois cozidos com alho e azeite de oliva. Junto com esses pratos, foram colocados à mesa dois molhos: o Cameline, à base de vinho e especiarias (notamos bem a canela) e o bem conhecido Honey Mustard – molho à base de mostarda l’ancienne e mel.

Tertius
Tart de Bry


Uma deliciosa torta de queijo. A torta, aliás, era um conceito muito apreciado pelos medievais, pois é uma comida que tem tudo dentro de uma casca, facilitando o consumo (pode ser comida com a mão) e a condimentação.

Quartus
Metz
Cucurbitas
Molho Cameline
Molho Honey Mustard


A carne entra novamente, dessa vez acompanhada por “Curcubitas”, que são pedaços de abóbora assada e temperada, e novamente os sensacionais molhos Cameline e Honey Mustard.

No fim, fomos indagados se gostaríamos de repetir algum dos courses salgados antes que a sobremesa fosse servida. Os pratos estavam tão saborosos que a vontade era de repetir cada um deles, mas para a maioria de nós simplesmente não havia mais espaço. Além da excelente qualidade dos pratos, tudo foi servido com muita fartura, pra glutão nenhum botar defeito.

Bellaria (Sobremesa)
A Potage of Roysons (pudim de maçãs e uvas passas)


Os medievais gostavam muito de açúcar, embora fosse uma especiaria cara. O próprio conceito de sobremesa provavelmente era reservado aos nobres, algo que os pobres podiam experimentar apenas como sobras das refeições dos mais ricos. Mais um elemento para que cada convidado se sentisse um nobre num banquete.

E durante todo o banquete, foram servidos suco de uva e a Household Ale da Cervejaria Maria Maria, uma cerveja preparada com muito pouco lúpulo, e amargor proveniente das diferentes torrefações dos maltes – mais uma receita pesquisada pelo Schola Militum.


Hoje em dia os cervejeiros diferenciam as cervejas ale das lager pelo tipo de fermentação (respectivamente alta ou baixa). Historicamente, contudo, antes que o uso do lúpulo se espalhasse pela Europa, ale era uma cerveja feita sem lúpulo. Ou seja, a ale servida no banquete é mais um elemento para imersão dos convidados na experiência medieval.






Conclusão


Em termos de comida, o banquete do Schola Militum foi o melhor evento do meio medieval do qual já participamos. Cada prato foi primorosamente preparado e ficou evidente todo o trabalho de pesquisa histórica realizada pelo grupo, especialmente pelo Tarcísio, que além de cabeça do Schola Militum é o principal cozinheiro do banquete. Ficam aqui nossos parabéns a ele e a toda equipe da organização pela experiência gastronômica historicamente imersiva proporcionada aos convidados.

Já estamos ansiosos para saber quais serão os pratos do ano que vem!

Fotos da Feira por Willian Dobler

Fotos do Banquete por Lilian Kim

Veja também aqui no Cena Medieval:


Banquete Schola Militum 2015, nosso post com as fotos do banquete do ano passado (bom pra conferir as diferenças no cardápio)

II Aniversário Schola Militum, nosso artigo com as expectativas do evento deste ano (que como vocês puderam ver pela resenha, foram mais do que atendidas)

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