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sábado, 20 de janeiro de 2018

Medievalismo na Cultura Pop: Elric – O Trono de Rubi

Salve, medievalistas, tudo certo?


Depois de um longo e tenebroso inverno, volto a colaborar com este que é o maior site sobre medievalismo do Brasil. Nesta coluna, que chamei de “Medievalismo na Cultura Pop” (Você pode conferir o primeiro texto dessa coluna clicando AQUI), procuro trazer obras que tenham alguma relação com o medievalismo. Hoje falarei sobre um quadrinho, umas das minhas grandes paixões, protagonizado por um dos maiores personagens do gênero Espada e Feitiçaria já criados, Elric de Menilboné.

Michael Moorcock não é um autor muito conhecido por aqui, já que foi pouquíssimo publicado em nosso país. O cara é um dos escritores mais importantes do gênero Espada e Feitiçaria, aliás ele que cunhou o termo, e Elric, sua mais famosa criação, é o segundo personagem mais importante do gênero, atrás apenas de Conan. É notável a influência de Robert E. Howard, criador do Conan, no trabalho de Morcock, ainda que este se diferencie em questões bem importantes.

Assim como Conan, Elric possui muitas publicações que contam diversos momentos de sua vida de forma não cronológica. Um volume muito alto de publicações que, como mencionei anteriormente, mal foi publicado por aqui. O recém lançamento da editora Mythos, Elric – O Trono de Rubi, procura adaptar algumas dessas histórias para os quadrinhos ao mesmo tempo que adiciona elementos que o próprio Morcock gostaria de ter criado, conforme podemos atestar ao ler o prefácio escrito por ele.


Explicando rapidamente, Elric é o governante de Melniboné, um reino milenar que está em decadência, e também um poderoso feiticeiro. Porém, o personagem padece por ser albino e fraco (ao contrário do arquétipo presente neste tipo de obra), precisando de poções para que possa sobreviver, o que faz com que muitos questionem seu direito ao posto, sendo o principal antagonista seu primo Yyrkoon. Como você pode perceber, a tensão política neste reino é gigante e acentua ainda mais sua decadência. Tudo isso é regado à grandes batalhas, poderosos feitiços e uma terrível carnificina.

Os roteiros ficam à cargo de Julien Blondel e Jean-Luc Cano, que são hábeis em nos mostrar como o mundo em que a história se passa é fantástica e em como os personagens possuem camadas, tons de cinza. Não há heróis nesse mundo e ao acompanhar a história de Elric sob certa perspectiva, não seria loucura afirmar que ele é um vilão.



A arte fica à cargo de uma equipe de 4 artistas: Didier Poli, Robin Recht, Julien Telo e Jean Bastide, que se revezam na produção dos dois álbuns contidos neste encadernado. Cada página é uma obra de arte, um trabalho primoroso ao ilustrar o mundo criado por Morcock e é como se além do trabalho de desenho e arte final, também houvesse uma espécie de trabalho de revisão na arte. Como mencionei em meu texto anterior, para se desenhar no mercado Europeu de quadrinhos é necessário ter talento, algo que essa equipe tem de sobra.


O quadrinho foi originalmente lançado na França pela editora Glénat, fazendo parte de uma coleção de 4 álbuns que ainda não foi concluída. A editora Mythos reuniu os dois primeiros volumes em um único encadernado, com belo acabamento gráfico, e pretende publicar os outros dois volumes assim que forem concluídos. É um material que enche os olhos tanto por sua qualidade artística quanto pela qualidade editorial.


Ao final da leitura, você perceberá o quão influente é o trabalho de Morcock em obras como Crônicas do Gelo e Fogo (os livros que inspiraram a série Game Of Thrones) e diversos outros livros de Fantasia. Por falar no material fonte, é possível encontrar a venda os dois primeiros livros da série em português, ambos lançados pela editora Generale. Viaje por Menilboné e eu garanto que você vai querer passar muito tempo por lá.

Até a próxima!


Veja também aqui no Cena Medieval:


Lanfeust de Troy, um outro quadrinho que todo medievalista deveria conhecer

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