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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Dezembro/2017 – Hidromel Drakkar

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

Como haviamos avisado que aconteceria, o último post de 2017 em nossa coluna de hidroméis atrasou um pouco, mas aqui está ele! Este é o décimo oitavo rótulo que experimentamos aqui para a coluna, e ele fecha o segundo ano dessa nossa proposta de provar e avaliar um hidromel brasileiro por mês.


Nosso hidromel de dezembro é o Drakkar, de Maringá – PR!

Se você acompanha o Cena Medieval há um tempo, sabe que no começo de 2017 nós elegemos o Melhor Hidromel Brasileiro de 2016 (veja aqui o post com esse resultado), em duas categorias: Escolha da Redação, entre os seis rótulos que experimentamos no primeiro ano da coluna, e Escolha dos Leitores, entre dezenas de rótulos conhecidos no meio medieval.

Este ano, elegeremos apenas a Escolha da Redação, ou seja, o melhor rótulo, em nossa opinião, dentre os 12 que experimentamos entre janeiro e dezembro de 2017 (sendo que o Drakkar é o último a entrar para concorrer nessa lista). Então acompanhem o site e a nossa página no facebook, pois devemos fazer em breve o post do O Melhor Hidromel Brasileiro de 2017!

E a partir de 2018, a coluna de hidroméis será um pouco diferente. Ela continuará existindo, mas não será mais mensal. Falarei mais sobre isso num post próprio, mas de toda forma, este post é o último nessa pegada de provar um hidromel brasileiro por mês.

O Hidromel Drakkar


Agora ao que interessa: o Drakkar é produzido em Maringá desde 2015. Os produtores contam que tudo começou com uma reunião de quatro amigos apreciadores da cultura nórdica e medieval, o que dá pra perceber já pelo nome do hidromel.

Os vikings usavam diversos tipos de embarcações, que podem ser genericamente classificadas pelo gênero longship – a palavra expressa o conceito de um navio longo e estreito. Algumas vezes, esses navios tinham suas proas decoradas com cabeças de bestas, como dragões, por exemplo (a palavra dreki, em nórdico antigo, significa dragão). A palavra Drakkar é uma criação romântica do séc. XIX e, embora nunca tenha sido usada pelos nórdicos antigos, acabou se tornando referência, na cultura popular, para os navios usados pelos vikings.


Como já mencionamos por aqui (veja nosso artigo sobre a história dohidromel), os nórdicos antigos foram possivelmente o povo que produziu o hidromel da forma mais parecida com a que consumimos hoje, motivo pelo qual tantas marcas hoje fazem referências a eles em seus nomes e rótulos.

A experiência


Para acompanhar o Drakkar, nada mais justo do que um alimento que não apenas era consumido pelos vikings como também é considerado pelos historiadores como um elemento essencial para que os nórdicos exploradores tenham conseguido fazer suas longas viagens de barco: o bacalhau.


Embora o bacalhau seja um elemento essencial da culinária de Portugal e países de colonização portuguesa, desde a Idade Média a maior parte do bacalhau consumido no mundo vem de países como Noruega e Islândia, pois o verdadeiro bacalhau habita as águas frias do atlântico norte.

Estudiosos da Era Viking consideram que o bacalhau (cod, em inglês) foi essencial para as expedições nórdicas, pois ele passava pelo processo de secagem nos ventos do norte, ficando duro, compacto e facilmente preservável. Nos barcos vikings, era dividido em pedaços para ser mastigado, como se fosse um biscoito de navio altamente energético e proteico, e recebia em nórdico antigo o nome de skreið (algo como "peixe afiado). Ainda hoje, em inglês, o bacalhau seco é chamado de stockfish (algo como "peixe de estoque").


Assamos nosso bacalhau com manteiga e cozinhamos para acompanhar cenouras, cebolas e rabanetes, legumes que também eram consumidos pelos vikings.

A versão do Drakkar que o produtor nos apresentou é a suave. Ao abrirmos a garrafa, sentimos de cara o aroma forte e doce, característico do mel fermentado.


Na taça, tem uma boa apresentação, dourada e bem clarificada. Não apresenta carbonatação ao ser servido. No paladar, o sabor doce do mel se faz bem presente, fazendo apropriada a classificação como um hidromel suave. A textura é levemente aveludada e é possível sentir muito bem a presença do álcool, apesar de a graduação alcoóloca não ser tão alta assim (11,7%, segundo o rótulo). O sabor doce bem pronunciado domina a experiência, e ele desce quente como um licor.


Além disso, há um elemento no gosto desse hidromel que tivemos dificuldade de identificar, mas que sugere levemente o amadeirado de bebidas envelhecidas em barris de madeira (ou o uso de chips de madeira, para conferir o mesmo efeito). Mesmo que seja o caso, nosso paladar não é apurado o suficiente para identificar o tipo da madeira, mas os produtores talvez possam nos contar se houve algum ingrediente que possa ter gerado essa impressão.


Por ser um hidromel bem doce, consideramos que a versão suave do Drakkar sirva melhor como uma bebida de sobremesa, e por descer quente, será muito melhor apreciado num dia frio. Como o prato que preparamos era bem salgado, houve uma certa dissonância, mas isso não atrapalhou a apreciação do hidromel em si, que é bem gostoso. Recomendamos que harmonizem com pratos mais suaves, ou talvez com queijos fortes, para dar aquele efeito de queijo-com-doce, ou que consumam como sobremesa, especialmente em dias frios. Futuramente, vamos querer provar também a versão seca!

Dados técnicos


Os produtores utilizam mel silvestre (ou seja, proveniente de variadas floradas). A fermentação dura cerca de 3 meses e a maturação mais 4 a 5 meses. São utilizadas leveduras desidratadas próprias para fabricação de hidromel e outros vinhos.


A graduação alcoólica da variedade que experimentamos (suave) é de 11,7%.

A garrafa (750ml) pode ser adquirida por R$ 40,00, entrando em contato pela fanpage no facebook:


E você, já experimentou o Drakkar? Nos conte o que achou!



Veja também os outros rótulos que já experimentamos nesta coluna:


Julho/2016 – Bee Gold, de Sorocaba/SP

Agosto/2016 – Velho Oeste, de Xanxerê/SC

Setembro/2016 – Alfheim, de Cachoeirinha/RS

Outubro/2016 – Ferroada, de Contagem/MG

Novembro/2016 – Hahn, de Dois Irmãos/RS

Dezembro/2016 – Triple Horn, de São Paulo/SP

Janeiro/2017 – Cervantes, de Maringá/PR

Fevereiro/2017 – OldPony, de Mogi-Guaçu/SP

Março/2017 – Corvo Caolho, de São Caetano do Sul/SP

Abril/2017 – Philip Mead, de Hortolândia/SP

Maio/2017 – Yggdrasill, de Curitiba/PR

Junho/2017 – Lord, de São Paulo/SP

Julho/2017 – Skald, do Rio de Janeiro/RJ

Agosto/2017 – Sea of Velho Mundo, do Rio de Janeiro/RJ

Setembro/2017 – Zamith, de Queluz/SP

Outubro/2017 – Gjallarhorn, de Mogi das Cruzes/SP

Novembro/2017 – Kalèvala, de Niterói/RJ


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