Apoiadores:

Apoiadores:
Apoiadores: Hidromel Old Pony

domingo, 30 de julho de 2017

Julho/2017 – Hidromel Skald

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

Metade do ano já passou e continua firme e forte a nossa missão de experimentar um hidromel brasileiro por mês aqui na coluna.


O hidromel de julho, décimo terceiro desde que começamos essa história, é o Skald, do Rio de Janeiro/RJ!

Antes que vocês comecem a se perguntar, não, esse hidromel não é produzido por mim e nem tem nada a ver comigo, hehehe... Os Skalds eram originalmente os poetas e contadores de histórias na antiga cultura escandinava, sendo essa tanto a minha inspiração para o título que adotei no meio medieval, quanto a do produtor deste hidromel para nomear sua bebida.


Além disso, na mitologia nórdica havia o famoso Hidromel da Poesia, que daria a quem o bebesse o dom da poesia, o que por sua vez é uma grande metáfora para a inspiração poética. O dom da poesia é frequentemente associado ao deus Odin, que na tradição nórdica cobiçou e furtou o hidromel mágico produzido por dois anões ao misturar o sangue de um ser muito sábio chamado Kvasir com mel (eu explico um pouco melhor no meu artigo sobre a história do hidromel – veja aqui!).


Então o nome Skald é uma referência tanto aos famosos contadores de história quanto ao mítico Hidromel da Poesia, além de um convite do produtor para "se inspirar e ouvir boas músicas, poesias e histórias enquanto bebe uma garrafa de Hidromel".

O produtor conta que começou em 2015. Participando ativamente de eventos medievais ele conheceu o hidromel, mas não encontrava receitas que realmente agradassem seu paladar, principalmente por serem quase todas muito doces. Ele então começou a produzir para consumo próprio, buscando fazer receitas secas, onde todo o doce do mel fosse fermentado e convertido em álcool.


Atualmente, para exibir melhor as características do mel, ele começou a produzir versões semi secas, o que tem agradado a todos, pois encontrou o equilíbrio entre o doce do mel e o álcool.


A produção acontece no Rio de Janeiro e, como vocês podem imaginar, é necessário controlar a temperatura da fermentação de algumas receitas, especialmente no verão, para que as altas temperaturas não prejudiquem o processo de fermentação.

E para experimentar o Skald, fizemos uma nova participação no canal Cozinha dos Tronos!


A Experiência


Como os leitores devem estar acostumados, sempre preparamos um prato de culinária medieval para acompanhar o hidromel do mês. Ao longo dos últimos doze meses foram doze pratos diferentes. Muitas pessoas nos pedem as receitas que usamos, então decidimos aproveitar essa nova oportunidade com o Cozinha dos Tronos para ensinar pra vocês como fazer o primeiro prato da coluna, com o qual começamos tudo lá atrás: o apple bacon!


Como explicamos lá naquele primeiro artigo (no qual falamos do hidromel Bee Gold – veja aqui), o apple bacon é considerado uma receita viking, ou seja, mais um motivo para combiná-lo com o hidromel Skald, que já no nome faz uma referência aos vikings e à cultura escandinava.

Isto porque é uma típica receita dinamarquesa existente no mínimo desde a metade do século XVIII, então é razoável presumir que ela possa já ter sido consumida desde muito antes naquela região, talvez durante a Era Viking, que termina no século XI.

É uma receita calórica e pesada, perfeita para um dia frio, por isso escolhemos fazê-la agora em julho. E com efeito, na Dinamarca hoje em dia o pessoal gosta de fazer em dezembro, na época do Yule. Por lá o nome é Æbleflæsk, que significa literalmente carne de porco com maçãs.

Indo agora para o ponto principal de nossa experiência, o produtor do Skald nos apresentou duas das variedades produzidas por ele: o Skald Hibiscus e o Skald Tropical.


Começamos com o Skald Tropical, feito com mel de laranjeiras, gengibre e raspas de limão. Ou seja, exótico tanto no nome quanto na produção. O produtor conta que é uma receita experimental. A adição dessas especiarias o classifica como um metheglin, que é uma das várias categorias possíveis de hidromel.

O aroma que percebemos ao abrirmos a garrafa é diferente, e talvez não conseguíssemos identificar os ingredientes se já não soubéssemos, mas certamente é um aroma bem agradável que aguça a vontade de beber.


Na taça o Skald Tropical é translúcido e de uma cor amarelada, demonstrando uma clarificação bem competente. Ótima apresentação.

Mas no paladar é que vem a maior surpresa: ele combina uma doçura sutil com um toque levemente cítrico, o que faz dele uma bebida leve e refrescante. Se foi gostoso assim em tempetatura ambiente num dia moderadamente frio de inverno, no verão esse hidromel levemente refrigerado seria sensacional. Embora o produtor o apresente como uma receita experimental, consideramos que está mais do que aprovada.

A graduação alcoólica do Skald Tropical é de 13%, mas o álcool é pouco perceptível em meio às outras características mencionadas.


A seguir partimos para o Skald Hibiscus, que por outro lado segue uma receita já bem conhecida pro nós e pelos apreciadores de hidromel de longa data. Como já mencionamos em posts anteriores nesta coluna, o hábito de adicionar flor de hibisco na receita do hidromel é bem difundido na europa, e supostamente segue uma receita dinamarquesa de mais de trezentos anos. Isto associado à coloração avermelhada que é conferida pelo hibisco levou à convenção de se chamar essa receita de viking blood, ou sangue viking, e essa mistura é reproduzida por vários produtores de hidromel também no Brasil.

Tecnicamente, todo viking blood entra na categoria dos metheglins, apenas pela adição da flor de hibisco. No caso do Skald Hibiscus, a receita contem ainda outras especiarias: cravo, noz moscada e canela.


Na taça ele é translúcido e levemente avermelhado, novamente uma ótima apresentação.

No paladar ele também apresenta uma doçura moderada aliada ao gosto característico da flor de hibisco, combinados sutilmente com as demais especiarias da receita. É macio e bem equilibrado, provavelmente a melhor versão que já provamos dessa receita de hidromel com flor de hibisco. A graduação alcoólica é de 14%, e novamente quase imperceptível.


Este Skald Hibuscus recebeu a terceira melhor nota na Taça Paulista de Hidromel 2017, na qual concorreu com mais de 30 hidroméis de todo o Brasil. Mais uma vez, um belo acerto do produtor, que mereceu sua boa colocação na Taça.


Dá pra perceber que o hidromel Skald em suas receitas atuais é fruto de um bom tempo de experimentação para atingir este ótimo ponto. Ambas as variedades que experimentamos são metheglins complexos e bem equilibrados. A combinação da leve doçura de ambos foi excelente com o apple bacon, um prato que por si já apresenta a doçura da maçã aliada ao salgado da carne de porco defumada.



Dados técnicos


O produtor conta que a maioria das receitas do Hidromel Skald combina mel de laranjeira e silvestre para extrair o melhor de cada um deles. Atualmente estão criando novas receitas utilizando mel de eucalípto. A bebida é engarrafada após um período que varia entre 3 e 6 meses de fermentação, clarificação e maturação, podendo maturar ainda mais na garrafa já fechada.


As leveduras utilizadas são enólogas, algumas importadas do Canadá e outras da Bélgica.

O produtor conta ainda que busca sempre evoluir as receitas existentes e criar novas, sendo que suas receitas principais atualmente são o Hibiscos, o Tropical (os dois que experimentamos hoje) e o Skald Medieval, um bochet tradicional inspirado em uma receita francesa do séc. XIV, que certamente experimentaremos no futuro.


A graduação alcoólica das variedades que experimentamos é de 13% (Tropical) e 14% (Hibiscus).

O valor de venda de qualquer versão do Skald é R$ 45,00 (garrafa de 750ml). Eles ainda não enviam por correio, mas você pode curtir a página deles no facebook para saber quais os eventos em que estarão presentes e onde encontrá-los no Rio de Janeiro:



E você, já experimentou o Hidromel Skald? Nos conte o que achou!


Quer aprender a fazer o apple bacon? Assista ao episódio dessa semana do Cozinha dos Tronos:



Veja também os outros rótulos que já experimentamos nesta coluna:


Julho/2016 – Bee Gold, de Sorocaba/SP

Agosto/2016 – Velho Oeste, de Xanxerê/SC

Setembro/2016 – Alfheim, de Cachoeirinha/RS

Outubro/2016 – Ferroada, de Contagem/MG

Novembro/2016 – Hahn, de Dois Irmãos/RS

Dezembro/2016 – Triple Horn, de São Paulo/SP

Janeiro/2017 – Cervantes, de Maringá/PR

Fevereiro/2017 – OldPony, de Mogi-Guaçu/SP

Março/2017 – Corvo Caolho, de São Caetano do Sul/SP

Abril/2017 – Philip Mead, de Hortolândia/SP

Maio/2017 – Yggdrasill, de Curitiba/PR

Junho/2017 – Lord, de São Paulo/SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário sobre este artigo