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terça-feira, 30 de maio de 2017

Maio/2017 – Hidromel Yggdrasill

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

Como vocês sabem, esta é a nossa coluna de hidroméis, cuja proposta é provar e resenhar um hidromel brasileiro por mês, sempre acompanhado de um prato de culinária medieval. Se você por acaso ainda não conhece a coluna, comece por este post e depois confira os anteriores!


 E o nosso hidromel de maio é o Yggdrasill, de Curitiba/PR!

Se você ainda não conhecia a nossa coluna de hidroméis, veja aqui a lista completa de artigos! E se você ainda não sabe o que é hidromel (ou se sabe e quer aprender um pouco mais sobre ele), o primeiro artigo da coluna (veja diretamente aqui) é um breve resumo preparado por nós sobre a história dessa mítica bebida.

Os produtores contam que seus primeiros experimentos com a produção de hidromel começaram em 2009, e que o Yggdrasill foi lançado comercialmente em 2011.


A primeira coisa que se nota sobre o Yggdrasill, antes mesmo de prová-lo, é a preocupação dos produtores com a apresentação do produto. As garrafas são bem diferentes do que estamos acostumados, carregadas de detalhes, cores e uma temática mística. As versões Noite Mística e Rose Spirit, que são edições especiais, como explicaremos abaixo, chegam em belos embrulhos de veludo.



Se você pensa em presentear alguém com uma garrafa de hidromel (um excelente presente, por sinal), o Yggdrasill é uma opção que chama atenção já pela elegância e bom gosto do pacote.

Um hidromel premiado


O Yggdrasill é produzido em diversas variedades, e a variedade Black Wood (uma das que experimentamos, como vocês verão abaixo) ganhou o prêmio de Melhor Hidromel na categoria “hidromel tradicional”, na Primeira Taça Paulista de Hidromel, que aconteceu agora em 2017.


A Taça Paulista foi um evento organizado pela Associação Paulista de Hidromeleiros (APH), o intuíto de promover o hidromel e oferecer aos associados a possibilidade de crescimento em relação às suas criações através de uma análise elaborada por jurados capacitados e isentos de influências.

Você pode ver aqui a resenha completa dessa primeira edição da Taça Paulista, na qual nosso colaborador Luis Felipe explicou um pouco sobre o funcionamento da competição e quem foram os ganhadores em cada categoria.

A Experiência


Para acompanhar um hidromel com uma apresentação tão elegante, nos esforçamos para pensar numa receita sofisticada, e acabamos nos decidindo pelo gravlax, que é um prato escandinavo, o que também caiu muito bem, já que o nome do hidromel vem da mitologia nórdica.


O gravlax é um salmão curado. Na Idade Média, ele era feito pelos pescadores escandinavos, que salgavam o peixe e enterravam na areia acima da linha da maré alta, deixando que ele fermentasse levemente. Deixamos aqui um agradecimento especial à hamburgueria Taverna Medieval, que foi onde experimentamos o gravlax pela primeira vez, e que gentilmente nos passou a receita usada por eles! (veja aqui também o nosso artigo completo sobre a Taverna Medieval).


Servimos com fatias de pão de cevada outras duas receitas escandinavas, ambas retiradas do livro dinamarquês Vikingars Gästabud (1998), de receitas vikings:


 Legumes (nabo, cenoura, repolho e alho-poró) refogados e glaceados com mel.


 Panquecas com calda de frutas (berries) e mel.

As três variações de hidromel que os produtores do Yggdrasill optaram por nos apresentar são edições especiais de sua bebida, com ingredientes e características complexos que vão além das classificações seco e suave (embora eles também produzam variedades mais convencionais, que não experimentamos dessa vez).

Começamos com o Black Wood, que é um hidromel tradicional, ou seja, leva em sua receita apenas água, mel e levedura. O diferencial dele é ser envelhecido em carvalho. O amadeirado, com efeito, é a parte dominante de seu aroma.


Não apresenta carbonatação e tem uma coloração bem dourada e translúcida, ou seja, uma ótima apresentação.


No paladar, ele é seco, sem doçura e moderadamente encorpado. Embora a graduação alcoólica não seja tão alta (10%), dá pra sentir bem a presença do álcool na boca.

A seguir, experimentamos a edição especial Rose Spirit. O aroma de rosas fica evidente no primeiro cheiro, e logo em seguida o aroma das frutas vermelhas, como morango, acaba ficando mais evidente.


Também não apresenta carbonatação, e sua coloração é o vermelho das frutas, novamente translúcido e bem apresentado.

No paladar, ele é realmente seco, sem presença de doçura. A graduação alcoólica é de 14%, estando entre os hidromeis mais fortes que já experimentamos, mas o gosto do álcool é bem camuflado pela complexidade dos demais sabores e aromas da bebida. Ainda assim, como uma bebida seca, sua acidez potencializa o sabor picante do prato que acompanha, como nossos legumes refogados, que levaram pimenta no preparo.


O Rose Spirit é um melomel, por ter em sua composição frutas vermelhas. Contudo, o fato de ter rosas brancas, que influenciam bastante seu aroma, talvez pudesse classifica-lo também como um metheglin, que é um hidromel com adição de ervas ou especiarias.

Errata: como nos alertou nosso leitor Wagner Vilela, existe uma classificação específica para hidroméis feitos com adição de rosas – rhodomel! Segundo rápida pesquisa que fizemos agora, trata-se de um tipo de hidromel que era bastante apreciado nas antigas Grécia e Roma (vivendo e aprendendo!). Dessa forma, o Rose Spirit, que tem tanto as frutas vermelhas quanto as rosas brancas, é algo entre um melomel e um rhodomel.

Por fim, partimos para o Noite Mística, que deixamos para o final por ser o mais doce dos três. Este sim é de fato um metheglim, apresentando ervas em sua composição. O aroma dele é muito parecido com o de um chá.


Assim como os outros dois, não apresenta carbonatação, e sua coloração, assim como seu aroma, lembra um rico chá de ervas.


É um hidromel surpreendente, pois além de fugir bastante do que esperamos da maioria dos hidroméis, seu aroma sugere um sabor, mas o sabor de fato vai por um caminho diferente, mais doce do que você imagina, encorpado e macio na boca. De certa forma, é como um chá alcoólico e bem aromático.


Os três são hidroméis bem complexos, que garantem uma experiência rica, para quem aprecia esse tipo de degustação. Nossa escolha de receitas sofisticadas foi acertada, pois não são hidroméis pra se tomar com pressa e em grandes goladas, mas sim para serem apreciados lentamente com um boa refeição ou mesmo sozinhos.

Ademais, o Black Wood, primeiro da noite, confirmou uma impressão que já havíamos tido quando experimentamos o Cervantes (hidromel de janeiro/17 – veja aqui): hidromeis amadeirados terão um sabor forte e marcante.


Já o Noite Mística e o Spirit Rose são, respectivamente, o primeiro e o segundo de uma série de sete receitas especiais que os produtores do Yggdrasill estão produzindo, uma por ano.

“Porque 7? Eles ajudarão a despertar a energia existente em cada pessoa que se encontra oculta hoje, e após as 7 safras , será passado uma fórmula, onde a mistura delas irá formar um 8º hidromel.” (texto de apresentação do Noite Mística no site oficial dos produtores).

Ficamos curiosos agora para saber quais serão as receitas dos próximos cinco anos!

Dados técnicos


O Yggdrasill é produzido habitualmente com mel de eucalipto, mas os produtores variam conforme o resultado final que querem obter em cada receita.


O tempo de fermentação e maturação também depende da receita. No caso do Black Wood e Rose Spirit, duas das variedades que experimentamos, os produtores contam que a maturação é de pelo menos doze meses.

A graduação alcoólica das variedades que experimentamos variava entre 10 e 14%.

Os valores de garrafa (500ml) conforme a variedade são:

Black Wood – R$ 50,00
Noite Mística – R$ 80,00
Rose Spirit – R$ 80,00

Como explicamos acima, os dois últimos fazem parte de uma série de receitas especiais que estão sendo lançadas, uma por ano. O Noite Mística foi a receita de 2015 e o Rose Spirit a de 2016. No final deste ano de 2017, os produtores deverão lançar a terceira receita especial!


Você pode encomendar uma garrafa do Yggdrasill diretamente pelo site deles:


Você já experimentou alguma das variedades do Yggdrasill? Nos conte como foi sua experiência!


Veja também os outros rótulos que já experimentamos nesta coluna:


Julho/2016 – Bee Gold, de Sorocaba/SP

Agosto/2016 – Velho Oeste, de Xanxerê/SC

Setembro/2016 – Alfheim, de Cachoeirinha/RS

Outubro/2016 – Ferroada, de Contagem/MG

Novembro/2016 – Hahn, de Dois Irmãos/RS

Dezembro/2016 – Triple Horn, de São Paulo/SP

Janeiro/2017 – Cervantes, de Maringá/PR

Fevereiro/2017 – OldPony, de Mogi-Guaçu/SP

Março/2017 – Corvo Caolho, de São Caetano do Sul/SP

Abril/2017 – Philip Mead, de Hortolândia/SP

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