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sexta-feira, 31 de março de 2017

Março/2017 – Hidromel Corvo Caolho

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

Já conhece a nossa coluna de hidroméis? Ainda não?! Então comece por esse artigo e depois confira os anteriores! Todo mês nós experimentamos um hidromel brasileiro diferente, sempre acompanhado de um prato de culinária medieval, e relatamos a experiência num artigo com belas fotos.


E hoje nós chegamos ao nosso hidromel de março, o nono artigo da coluna, e hoje vamos falar de um rótulo que foi sugerido várias vezes pelos leitores do Cena Medieval: o Corvo Calho, de São Caetano do Sul/SP!

O Corvo Caolho é produzido pelo Adriano Martorelli, conhecido no meio medieval de São Paulo como Beansidhe (pronunciamos Banshee). Ele começou a produzir seu hidromel em 2008, numa época em que, segundo o próprio, o homebrew ainda não era tão evidente no Brasil. Como muitos outros produtores, ele começou estudando o processo de fermentação de grãos para fazer cerveja e acabou se interessando também pelo processo de fermentação do mel.


Naquela época o hidromel dele ainda não se chamava Corvo Caolho. Na verdade, durante muito tempo foi conhecido e apreciado simplesmente como “o hidromel do Beansidhe”, e apenas recentemente recebeu um nome. Ele conta que muita gente associa o nome a Odin (deus da mitologia nórdica que é caolho e tem dois corvos), mas na verdade o nome surgiu a partir de uma piada com o Corvo de Três Olhos de Game of Thrones. O Beansidhe explica que é míope e gosta muito de corvos, e numa conversa com amigos disse que se ele fosse o corvo da história, não teria três olhos, mas seria sim um corvo caolho. E ele gostou tanto do nome que acabou usando para batizar seu hidromel, que há tanto tempo já era produzido sem nome.


E o Corvo Caolho é produzido em apenas uma variedade, o suave, e a receita é a mesma desde 2010, quando Beansidhe achou o ponto ótimo para sua fórmula.

A experiência


Para acompanhar o Corvo Caolho, preparamos Chike Endored, que é um frango assado com uma crosta feita de gema de ovos, farinha, gengibre e pimenta. É uma das 182 receitas encontradas no manuscrito medieval inglês conhecido como Harleian Manuscript number 4016, que foi escrito por volta de 1450 D.C., ou seja, mais um registro inglês feito no finalzinho da Idade Média.


É interessante notar que os medievais tinham uma preocupação grande com a apresentação dos pratos, e no caso dessa receita curiosamente é expressamente recomendado remover a cabeça do frango, mas deixar os pés! Não há como ter certeza sobre o motivo dessa instrução, mas decidimos segui-la.


Outra curiosidade é que a carne de frango era provavelmente menos consumida do que a de porco, por exemplo, pelo fato de que um frango vivo produz potencialmente muito mais comida com seus ovos. Ainda assim, era uma carne apreciada, tanto que há receitas baseadas nela.


Preparamos também uma porção de cenouras refogadas na manteiga com um pouquinho de cebola. Não é uma receita específica com nome, até porque a simplicidade da preparação de vegetais não justificava o gasto de precioso velino ou pergaminho para registra a receita, mas os vegetais obviamente eram uma parte importante da alimentação diária dos medievais (mais para os plebeus do que para os nobres), de forma que achamos sempre importante colocar algum vegetal como acompanhamento.

Ao abrirmos a garrafa, já sentimos um aroma de mel bem pronunciado e moderadamente doce.


O Corvo Caolho é um hidromel sem carbonatação, ou seja, não forma espuma e não tem gás. A cor é bem dourada e apresenta boa clarificação (ou seja, a bebida é translúcida).


No paladar, o Corvo Caolho tem uma característica bem interessante que é uma leve acidez aliada a uma doçura considerável (superior à de um demi-sec), mas que não chega a ser enjoativa. A classificação como suave é acertada.


A harmonização com o frango assado ficou bem bacana, mas provavelmente teria ficado melhor ainda com um prato de tempero agridoce, como o coelho assado com vinho condimentado que preparamos em setembro do ano passado para acompanhar o hidromel Alfheim (veja aqui). Então se você for experimentar o Corvo Caolho, fica a dica.


Não obstante, o Corvo Caolho é um hidromel muito saboroso, que recomentamos para quem gosta de um hidromel suave no paladar e com doçura acentuada. A graduação alcoólica está entre 10% e 13%, segundo estimativa do produtor, o que é um hidromel forte e perigoso, pois dá pra beber bastante e ficar bêbado sem nem sentir, hehehe...


Dados técnicos


O Corvo Caolho é produzido com mel silvestre (ou seja, mel proveniente de diversas flores, e não de uma específica). O produtor explica ainda que, como desenvolveu a receita com base da produção de cerveja, o período de fermentação é de 30 dias, após o que ele realiza a trásfega e deixa maturar por mais 15 dias. A levedura utilizada é a do fermento de pão.


A graduação alcoólica, como mencionamos acima, é estimada pelo produtor entre 10% e 13%.

O valor da garrafa (500ml) é de R$ 25,00. A produção é relativamente pequena, de apenas 15 litros por mês (ou seja, se quiser experimentar, peça com pelo menos um mês de antecedência para garantir!). É possível encomendar diretamente com o Beansidhe pelo perfil dele no facebook:


E você, já experimentou o Corvo Caolho? Nos conte o que achou!


Veja também os outros rótulos que já experimentamos nesta coluna:


Julho/2016 – Bee Gold, de Sorocaba/SP

Agosto/2016 – Velho Oeste, de Xanxerê/SC

Setembro/2016 – Alfheim, de Cachoeirinha/RS

Outubro/2016 – Ferroada, de Contagem/MG

Novembro/2016 – Hahn, de Dois Irmãos/RS

Dezembro/2016 – Triple Horn, de São Paulo/SP

Janeiro/2017 – Cervantes, de Maringá/PR

Fevereiro/2017 – OldPony, de Mogi-GuaçuSP

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