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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Old Norse, a Saga: Cap. III – Yule (prelúdio)

Salve, vikings e medievalistas!

Estamos cada vez mais perto da edição desde ano do Old Norse, e chegou a hora de publicarmos o terceiro capítulo da saga, que diz respeito aos acontecimentos na história da edição de 2017 do evento.


Como nos anteriores, será em duas partes: prelúdio (este post) e continuação (a ser publicada nos próximos dias).

Imagem de capa deste capítulo por: Erick Gouma

Nesse sistema que temos apresentado, o prelúdio sempre diz respeito aos acontecimentos e feitos dos personagens logo antes de cada edição do evento, ou seja, um texto a ser lido por você que vai ao Old Norse antes de ir para o evento, para se ambientar e entrar no clima da encenação.

Já a continuação diz respeito aos acontecimentos no enredo da saga durante o evento propriamente dito, que podem ser influenciados pelos próprios convidados.

Caso você não tenha lido os capítulos anteriores, referentes às duas primeiras edições do evento, são estes aqui:

Capítulo II – Portões de Valhala (continuação)

E agora, vamos ao prelúdio do Capítulo III – Yule (história de Philippe Meier e Jansen Nunes, e adaptação em texto para esta publicação por mim, Skald Rafael):



Quase um ano havia se passado desde o resgate de Astrid. Embora a autoridade de Eiðr já fosse bem questionada, um novo e rigoroso inverno fez com que as diferenças ficassem de lado, pois a prioridade era a sobrevivência.

Logo após o resgate, o Rei Eiðr havia convocado os Jarls mais importantes e sugerido a organização do maior festival de Yule que já havia sido feito. Uma celebração para chamar a atenção dos deuses, unir o povo e promover uma grande renovação na vida de todos. Embora a lealdade dos homens ao Rei vacilasse, ninguém questionou aquela sugestão.

E havia chegado a hora. A primavera, o verão e o outono haviam passado como um piscar de olhos, e um novo e rigoroso inverno batia às portas de todos. Os dias eram mais curtos, e ainda assim o trabalho era árduo, exigindo muito do povo. Numa noite, após um dia difícil, muitos jovens estavam reunidos em volta de uma fogueira, e o ancião Einar tentava fazê-los esquecer do frio e de suas barrigas vazias, além de ensiná-los um pouco das antigas tradições.

– Por que celebrar bem no meio do inverno? – perguntou um menino, filho de um dos fazendeiros, que não entendia todos os preparativos que estavam sendo feitos – Não deveríamos estar poupando comida?

– Devemos celebrar para dar adeus a um período e boas vindas ao outro – explicou Einar. – Apenas com uma verdadeira renovação podemos superar nossos tempos mais sombrios. Além disso, é nessa época do ano, quando as noites são mais longas, que Odin pode ser visto cavalgando Sleipnir pelos céus.

Toda a história de renovação era abstrata demais para os jovens entenderem, mas a menção ao pai dos deuses montado em seu cavalo de oito patas imediatamente capturou a atenção de todos, e muitos olhos brilharam.

– Vamos poder ver Odin? – perguntou uma menina.

– Talvez, se conseguirmos chamar a atenção dele – respondeu o ancião. – Odin, que muitas vezes também é chamado de Pai Yule, pode muito bem nos fazer uma visita.

– Meu pai disse que os porcos que nós criamos são os mesmos que os guerreiros comem em Valhalla – disse um outro menino, que por acaso era filho de um açougueiro.

– Seu pai está certo. Todas as noites, em Valhalla, os Æsir e os einherjar comem a carne do javali Sæhrímnir, e ele é trazido à vida de novo para dar sustento no dia seguinte. 

– Nossos porcos não voltam à vida... 

– Não – reconheceu o ancião – mas ainda assim vocês devem agradecer aos deuses pelos porcos, pois mesmo quando sacrificamos e comemos a carne de um porco, a prole dele cresce para nos dar mais carne e sustento no ano seguinte. E cada vez que nós comemos o gordo e suculento pernil de um porco no Yule, estamos comendo como os deuses e os guerreiros em Valhalla.

Einar contou ainda outras histórias sobre os deuses, sobre a Caçada Selvagem que acontecia nas noites de inverno e sobre os feitos dos antepassados naquele povo, plantando naqueles jovens a semente do entusiasmo pelo Yule e tentando ensinar a eles toda a importância daquela celebração.

– O Yule é um período de transição – insistiu o velho, agora que havia cativado aqueles corações jovens – nosso povo está prestes a terminar um ciclo e começar outro. Vocês estão preparados para o que as Nornas estão fiando?

Naquela mesma noite, não muito longe dali, um fogo queimava no longo salão, e em volta estavam reunidos o Rei Eiðr, sua filha Astrid, seu genro Earnán e Thorbjörg, a völva, que desde o ano anterior era recebida com honras ali e estava sempre presente nos momentos mais importantes. Os conselhos da völva haviam sido valiosos para o rei quando ele precisava resgatar sua filha, e nesse momento eles contavam com a voz sábia e a presença carismática dela para agregar as pessoas durante a celebração do Yule, que estava sendo cuidadosamente planejada.

– Todos os Jarls convocados virão? – questionou Earnán.

– Não temos como saber – respondeu Astrid. – O que importa é que todos estão respeitando esse momento de... calmaria. Não houve grandes expedições este ano e provavelmente não haverá no ano que vem. Apenas os drakkares do Jarl Bjorn estão em bom estado, e pelo que sabemos ele não voltou do oeste, então ele não deve estar presente no Yule...

– E o Jarl Uffe?

– Este deve vir com certeza. Já prometeu muitos animais para o sacrifício.

Eles começaram então a discutir como aconteceriam os rituais, e a völva, que falava pouco, sugeriu que o povo fosse envolvido nos ritos, especialmente as mulheres, com as canções do Vardlokur. Astrid e Earnán concordaram, e olharam para Eiðr em busca de aprovação.

– O que você acha, meu pai?

Apesar da ideia da grande celebração ter partido do rei, ele cada vez opinava menos, e demorou para responder a pergunta de Astrid, como se sua mente vagasse por outro lugar enquanto aquela conversa acontecia.

– Pai?

– Sim, minha filha – disse o rei finalmente – vamos fazer desse jeito.

Faltavam poucos dias para o Yule, logo os primeiros visitantes começariam a chegar. Grandes clareiras foram limpas na floresta, para que as tendas pudessem ser montadas e até um pequeno mercado pudesse acontecer ali. Tudo indicava que, de fato, aquela seria uma grande celebração.

Restava saber se os deuses estariam presentes...

Continua...



Veja também aqui no Cena Medieval:


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