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sábado, 28 de setembro de 2019

Resenha da Oenach na Tailtiu 2019: a espera foi longa, mas valeu a pena!


Salve, medievalistas!


Há uma semana aconteceu a sexta edição da Oenach na Tailtiu, um dos eventos responsáveis pela difusão do meio nerd-medievalista no Rio de Janeiro. A última edição havia acontecido em 2016, então já tinha aí um hiato bem grande pra deixar a gente com saudades do evento!


Oenach na Tailtiu, em gaélico, significa algo como Reunião de Tailten. E Tailten, por sua vez, é uma figura mitológica irlandesa pré-cristã, que teria se sacrificado para arar os campos da Irlanda e alimentar a população. Em sua honra, seu filho adotivo Lugh – outro herói da mitologia irlandesa – teria estabelecido uma tradição de jogos funebres, que durariam vários dias e culminariam com o grande festival da colheita (Lughnasah, que até hoje é um dos quatro sabás anuais da tradição celta).


Ou seja, trata-se de um evento recriacionista da cultura celta irlandesa, com inspiração direta em um tradicional evento histórico. O nome dos jogos fúnebres originais (que aconteceram durante boa parte da Idade Média na Irlanda, até o séc. XII, quando cessaram devido à invasão normanda) é Óenach Tailten e os organizadores do evento carioca moderno usam uma grafia ligeiramente diferente de propósito, para indicar que o seu evento é inspirado no festival original, mas não é o mesmo.

O público do evento podia se aliar a um dos quatro times: Connacht, Leinster, Munster e Ulster, que são justamente as províncias da Irlanda, e participar de diversas competições bem amigáveis, desde arremeço de lança até disputa de discurso de guerra.



Ou, se você quisesse só comer (muito), beber (muito) e deitar na grama pra descansar, era uma ótima opção também. Parte das bebidas no evento era cerveja artesanal, produzida pelos próprios organizadores, de excelente qualidade e vendida a preços bem acessíveis – uma red ale por 10 airgid, por exemplo. Airgid é a moeda corrente no evento (pra simplificar, 1 airgid = 1 real).


Para os nerds fãs de Senhor dos Anéis, era possível se sentir em pleno Condado: um farto banquete sendo servido (sério, comida em quantidade e qualidade pra hobbit nenhum botar defeito), a música irlandesa tocando, o cenário bucólico em volta (e no meu caso um cachimbo sendo pitado, pra completar).

Rodas de queijos, cestas de pães, manteiga, frutas frescas e frutas secas. Batatas em conserva, num azeite levemente apimentado. Ovos de codorna e alho cozidos. Nozes e castanhas. Bolos e tortas. Peixe, frango, costela de boi, linguiças, cogumelos e sopas feitas no campfire. Vinho fluindo do barril para os canecos e horns. A definição de fartura numa mesa ornamentada com guirlandas, pinhas, ramos de trigo, flores e velas.










O grupo Ceili de danças irlandesas e a banda Tailten (que é a banda dos organizadores do evento) fizeram apresentações muito animadas!







No sábado, primeiro dia, uma garoa fina e constante refrescou a tarde e noite do evento, quase como se o céu quisesse colaborar com o clima irlandês. No domingo os deuses exageraram um pouquinho e mandaram chuva de verdade, mas que não foi nem de longe capaz de estragar a festa. Os jogos funebres viraram jogos aquáticos, com direito a vikings jogando vôlei usando um crânio como bola e uma parede de pedra como rede (parece a descrição de cena de uma partida de RPG, mas foi real – fora o fato de que o crânio e a parede de pedra eram de isopor).
























Pela terceira vez, o evento aconteceu no camping Escola dos Escoteiros do RJ, na cidade de Magé. O ingresso ($160 reais para os dois dias) incluía o banquete que foi oferecido ao longo do dia, mas não as cervejas, que deviam ser compradas no evento. Havia opções de valores diferenciados pra quem queria curtir apenas um dia de evento e combos com caravana saindo do Rio e pernoite nas tendas celtas oferecidas pela própria organização.


De todos os eventos sobre os quais falo aqui no blog, a Oenach é de longe o que é organizado com mais carinho e dedicação. Prova disso é que, mesmo com chuva, não havia quem não saísse feliz de ter participado. Quem conhece sabe que os organizadores fazem por amor à reunião e à cultura celta, e isso faz toda a diferença na forma como o evento acontece, fica visível nos pequenos detalhes.

Só os deuses sabem quando eles vão decidir fazer outra edição, mas eu já vou estar aqui esperando ansiosamente.


Veja as resenhas das edições anteriores:


2015

2016


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