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sábado, 30 de setembro de 2017

Setembro/2017 – Hidromel Zamith

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

Esta é a décima quinta resenha de nossa coluna de hidroméis! Se você acompanha o Cena Medieval, provavelmente já conhece nossa proposta de experimentar e resenhar um hidromel brasileiro por mês, sempre acompanhado de um prato de culinária medieval.


A partir do ano que vem, pode ser que essa proposta mude um pouco. Mas por enquanto, no mínimo até dezembro, vamos mantê-la como está, e o hidromel deste mês de setembro é o Zamith, de Queluz/SP, bem na divisa com o RJ!

Olhando pra trás, percebemos que demoramos pra experimentar um hidromel do RJ, mas agora (de forma não planejada), já é a terceira vez consecutiva que trazemos um hidromel deste estado. Deem uma olhada na nossa coluna de hidroméis para conferir as resenhas do Skald (Julho), Velho Mundo (Agosto), ambos cariocas, e confiram agora como foi nossa experiência com o Zamith, da cidade de Queluz, que fica bem na fronteira entre Rio e São Paulo.

O Zamith é um hidromel bem jovem, que começou a ser produzido em novembro de 2016, ou seja, há menos de um ano. O produtor conta que tudo começou com um pedido de casamento: a noiva disse sim, e de bônus ele firmou uma parceria com o sogro, de modo que a primeira safra saiu em janeiro de 2017.


O local de produção é a Área de Preservação Ambiental (APA) Serra da Mantiqueira, no município de Queluz/RJ, e tanto o clima quanto a água de lá são fatores determinantes nas características do Zamith. O mel utilizado varia conforme a florada predominante no momento. Lá eles tem presença forte de eucalíptos, mas também coletam mel de assapeixe e ângico.

Dessa forma, segundo o produtor, o estilo do hidromel "segue o ritmo da natueza", e ele ainda está numa fase de se surpreender com as variações no resultado de cada safra.

A experiência


Este mês decidimos revisitar um dos pratos que mais nos agradaram nessa jornada gastronômica: a clássica combinação de linguiça, chucrute e mostarda!


Se você acompanha a coluna, talvez se lembre que preparamos essa combinação em novembro do ano passado para acompanhar o hidromel Hahn, de Dois Irmãos/RS, e naquela oportunidade usamos uma linguiça de pernil de porco. Dessa vez, pra variar, decidimos usar duas outras variedades de enchido: a alheira portuguesa e a linguiça de sangue!

Como mencionamos anteriormente, durante a Idade Média a produção e consumo de enchidos foi abundante, e surgiu uma infinidade de variações, modos de preparo e sabores, com características peculiares de cada região.


A alheira portuguesa é uma iguaria originária de nossa pátria mãe, que leva em sua composição pão e alho, além da carne. Há subvariações conforme a região de Portugal onde ela é produzida. Inclusive, no primeiro artigo de nossa série Férias Medievais em Portugal, mencionamos a alheira como parte da refeição servida no jantar no Castelo de Óbidos!


A linguiça de sangue, por sua vez, é outro gênero que possui muitos nomes e variações conforme o local onde é produzida. Em inglês, blood sausage (que compreende o subgênero black pudding), e em português chouriço de sangue (nem todo chouriço é de sangue!), também chamado de morcela, que foi a variedade que usamos.

O chucrute, como já mencionamos também, é um elemento bem importante da culinária medieval, especialmente nos países de cultura germânica. Da outra vez, usamos um chucrute "jovem", fermentado por apenas dez dias. Dessa vez, fomos bem mais hardcore: usamos um chucrute que deixamos fermentando desde janeiro! Ou seja, quase nove meses completos fermentando!

E pra completar a mesa, uma peça de queijo gorngonzola (sim, ele é medieval!) e uma boa porção de mostarda com mel.

E depois de tanto falar da comida, vamos finalmente para o principal, que são os hidroméis. O produtor do Zamith nos apresentou as três variedades produzidas por ele, que são: Othinus (tradicional suave), Freya (melomel de amora semi-seco) e Kvasir (hidromel escuro semi-seco).

Começamos pelo Othinus, a variedade principal da marca. O aroma é bem sutil, ligeiramente doce.


Na taça, ao ser servido, ele é bem translúcido e tem uma cor bem suave, apresentando pouco da cor tipicamente amarelada dos hidromeis. Se não soubéssemos que é um hidromel, poderíamos até pensar ser alguma bebida destilada. A clarificação é boa e não apresenta carbonatação.


No paladar, o Othinus é moderadamente doce, e tem uma certa nota cítrica, bem ao fundo, mas no geral segue um estilo de baixa complexidade, típico dos hidroméis jovens.

A seguir, experimentamos o Kvasir, a variedade mais exótica da marca, pois é feita, segundo o produtor, com o mel da seiva da cana-de-açúcar. E diferentemente das outras duas variedades, ele passa um período mais longo maturando, para que seus sabores aflorem.


Isso é perceptível já no aroma e principalmente na cor do Kvasir, que é bem mais intensa. A clarificação novamente é boa e também não apresenta carbonatação.


No paladar, ele é forte e seco, proporcionando aquela queimação na garganta típica das bebidas derivadas da cana. A graduação alcoólica informada já é alta (12,5%), mas os primeiros goles dão a impressão de ser mais forte ainda. Não é um hidromel para corações fracos! E diríamos que provavelmente deve ser melhor consumido num dia frio, pra dar aquela esquentada na alma.

Finalmente, chegamos ao Freya, que é um melomel de amora semi-seco. Melomel é a nomenclatura que damos para hidromeis que levam frutas como morango ou amoras em sua composição (as chamadas berries, em inglês).


O aroma novamente bem sutil e a coloração é levemente avermelhada. No paladar, ele é menos doce que o tradicional e evidencia sua graduação alcoólica mais alta, com a baixa complexidade oriunda do curto tempo de maturação e uma sutil nota de amora no final do gole.


Enfim, sem perceber, acabamos montando uma mesa bem eclética, com elementos ibéricos (alheira portuguesa e morcela), germânicos (chucrute) e italianos (gorgonzola), combinados com um hidromel que pode no mínimo ser considerado tropical, pelos tipos de mel que são sua base, especialmente a variedade Kvasir, feita com o mel da seiva da cana-de-acúcar, que faz com que o hidromel guarde semelhança com um certo destilado de produção nacional pelo qual o Brasil é famoso.



Dados técnicos


Como dissemos anteriormente, o produtor conta que usa o mel de florada predominante no momento da produção, ou seja, varia conforma a époda do ano. Ele conta ainda que, com a técnica atual, o tempo de fermentação é de no máximo um mês e meio.


A graduação alcoólica das variedades que experimentamos é de 10% (Othinus), 12,5% (Kvasir) e 12,5% (Freya).


Os valores por garrafa de 500ml variam entre R$ 35,00 e R$ 60,00.

Para saber mais, ou para adquirir uma garrafa, entre em contato pela página deles no facebook:


Ou pelo site da marca:



E você, já experimentou o Zamith? Nos conte o que achou!


Veja também os outros rótulos que já experimentamos nesta coluna:


Julho/2016 – Bee Gold, de Sorocaba/SP

Agosto/2016 – Velho Oeste, de Xanxerê/SC

Setembro/2016 – Alfheim, de Cachoeirinha/RS

Outubro/2016 – Ferroada, de Contagem/MG

Novembro/2016 – Hahn, de Dois Irmãos/RS

Dezembro/2016 – Triple Horn, de São Paulo/SP

Janeiro/2017 – Cervantes, de Maringá/PR

Fevereiro/2017 – OldPony, de Mogi-Guaçu/SP

Março/2017 – Corvo Caolho, de São Caetano do Sul/SP

Abril/2017 – Philip Mead, de Hortolândia/SP

Maio/2017 – Yggdrasill, de Curitiba/PR

Junho/2017 – Lord, de São Paulo/SP

Julho/2017 – Skald, do Rio de Janeiro/RJ

Agosto/2017 – Sea of Velho Mundo, do Rio de Janeiro/RJ

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