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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Novembro/2017 – Hidromel Kalèvala

Salve, medievalistas e apreciadores de hidromel!

Chegamos ao décimo sétimo artigo em nossa série de resenhas de hidroméis brasileiros, que começou lá na metade de 2016 e seguiu desde então, sempre com um post por mês, em que provamos um hidromel nacional acompanhado de um prato de culinária medieval. O hidromel deste mês é décimo primeiro (e penúltimo) de 2017.


E o nosso rótulo de novembro é o Kalèvala, de Niterói/RJ!

Sobre a data, você não leu errado, caro leitor. Embora já estejamos quase no natal, tivemos alguns contratempos em novembro, e a prova de hidromel relativa àquele mês só pôde ser feita agora. Isso significa que o hidromel de dezembro atrasará um pouco também: o post deve ser publicado em início de janeiro, mas ao todo serão doze hidromeis no ano de 2017, um por mês, como era nossa proposta desde o início.

A divulgação do Melhor Hidromel de 2017 segundo o Cena Medieval também deve acontecer apenas em meados de janeiro, então fiquem atentos.


Nós provamos o Kalèvala em conjunto com a galera do Cozinha dos Tronos! O video com a receita que preparamos para harmonizar deve sair lá no canal nesse final de semana. E caso você não tenha acompanhado, essa já é a nossa terceira participação no canal – estivemos por lá duas vezes este ano, nas quais provamos os hidroméis OldPony (fevereiro) e Skald (julho).


Agora ao que interessa: os produtores do Kalèvala contam que a ideia surgiu em 2015. Caio, estudante de engenharia química, e Erika, estudante de secretariado executivo, aperfeiçoaram a receita até encontrar o hidromel ideal para o próprio paladar. Como muitas histórias de produtores que acabamos conhecendo, no início as vendas eram apenas para amigos, mas o produto fez tanto sucesso que naturalmente surgiu a ideia de uma hidromelaria própria.


A inspiração do nome desse hidromel vem da obra de poesia épica homônima composta por Elias Lönnrot, que é considerada a epopeia nacional do povo Finlandês (mais ou menos como Os Lusíadas para os portugueses, ou a Canção dos Nibelungos para os alemães). O texto fala dos feitos de diferentes heróis e mitos daquela cultura, e teve um papel importante no desenvolvimento da identidade nacional finlandesa.

Ou seja, um hidromel que foge da associação com os vikings (que é a mais comum nesse meio), mas ainda faz homenagem à mitologia antiga, optando por referenciar um ramo diferente da cultura dos países nórdicos. Ponto positivo pela originalidade.



Bacana lembrar também que o Kalèvala ficou entre os melhores hidromeis, segundo voto popular, na nossa eleição do Melhor Hidromel Brasileiro de 2016 – veja aqui o artigo com o resultado completo.

A experiência


Para acompanhar a degustação das diferentes variedades do Kalèvala, preparamos com o pessoal do Cozinha dos Tronos uma adaptação de uma receita tradicional finlandesa, o Kalakukko, que é um pão recheado com carne de peixe (de água doce) e porco. No caso usamos apenas peixe e, aproveitando a proximidade do natal, adicionamos algumas frutas, como maçã, pera e tâmaras.



Esta foi a primeira vez que um produtor de hidromel nos apresentou quatro variedades diferentes de seu produto! Tivemos a oportunidade de apreciar o Kalèvala nas versões: Tradicional Seco, Tradicional Suave, Sangue de Viking e Hidromel do Jarl.


Começamos pelo Tradicional Seco, que de cara é bem aromático.


Na taça tem uma ótima apresentação: dourado e bem clarificado. Não apresenta carbonatação ao ser servido. No paladar, ele é sutilmente adocicado, o que nos fez pensar que seria melhor classificado como demi-sec, mas muito gostoso de toda forma. A graduação alcoólica é de 13%, mas pouco se sente o álcool.



A seguir, o Tradicional Suave, que tem um aroma bem parecido com o anterior.


Ao ser servido, também não apresenta carbonatação. É igualmente dourado, porém mais opaco. No paladar o sabor é bem parecido com o anterior, de modo que tivemos até um pouco de dificuldade em diferenciá-los. A diferença, que é bem sutil, está mais no corpo do que no sabor propriamente dito. Ambos são doces, mas o suave tem uma textura mais aveludada, que preenche a boca de forma diferente. A graduação alcoólica aqui também é de 13%.



Mas se esses dois primeiros são parecidos e de difícil separação, o próximo é um hidromel que se afirma e se destaca.

Trata-se de um Viking Blood, aquela receita dinamarquesa antiga com flor de hibisco que diversos produtores de hidromel gostam de reproduzir, mas que assume personalidade própria na confecção de cada um.

O Sangue de Viking do Kalèvala tem um aroma que sutilmente traz o toque da flor de hibisco, o elemento mais marcante dessa receita.


Na taça, não é carbonatado e apresenta uma elegante coloração vermelha, além de boa clarificação. Na boca é menos doce que os anteriores, mas ainda assim adocicado, e a graduação alcoólica mais alta (14%) se faz sentir um pouquinho mais, mas nada excessivo. Depois do segundo gole, o gosto e o aroma da flor de hibisco ficam bem presentes, dominando a experiência sensitiva.



E por fim, partimos para o que os produtores nomearam como Hidromel do Jarl, que consiste numa receita de hidromel "fermentado à base de whiskey", pois contém malte entre seus ingredientes. No aroma, percebemos algo parecido com as versões anteriores, mas menos doce.


Na taça, é uma bebida escura, de uma coloração quase café (mas ainda assim bem clarificada, o que se nota pois continua translúcida) e novamente sem carbonatação. O sabor é tão exótico quando a receita sugere, pois além da doçura sutil, podemos sentir um amargor que puxa lá do fundo da boca e um retrogosto interessante, que merecem ser apreciados lentamente. Uma surpresa bem agradável e diferente do que estamos acostumados em outros hidroméis. A graduação alcoólica é de 13%.



As quatro variedades do Kalèvala são muito boas, mas a que mais apreciamos foi essa última (Hidromel do Jarl), por nos proporcionar uma experiência diferente do que estamos acostumados. As duas primeiras (Tradicional Seco e Suave), como dissemos anterioremente, são bem parecidas entre si, e deverão agradar os paladares mais chegados a hidroméis e vinhos demi-sec. O Sangue de Viking é um hidromel com hibisco que valoriza bastante este último ingrediente, e deverá ser apreciado por quem valoriza bebidas bem aromáticas e exóticas. Todos caíram bem com o nosso pão recheado.



Dados técnicos


Os produtores usam mel silvestre, obtido com um fornecedor de mel orgânico da serra carioca. A fermentação dura pelo menos três meses e depois disso o produto ainda passa por pelo menos mais um mês de maturação em garrafa antes de ser comercializado.


Agraduação alcoólica das variedades que experimentamos fica entre 13 e 14%. Os valores por garrafa (720ml) variam entre R$ 35,00 e R$ 40,00. Encomendas podem ser feitas pela página do Kalèvala no Facebook ou pelo Mercado Livre – links abaixo.





Já experimentou alguma das variedades do Kalèvala? Nos conte o que achou!



Veja também os outros rótulos que já experimentamos nesta coluna:


Julho/2016 – Bee Gold, de Sorocaba/SP

Agosto/2016 – Velho Oeste, de Xanxerê/SC

Setembro/2016 – Alfheim, de Cachoeirinha/RS

Outubro/2016 – Ferroada, de Contagem/MG

Novembro/2016 – Hahn, de Dois Irmãos/RS

Dezembro/2016 – Triple Horn, de São Paulo/SP

Janeiro/2017 – Cervantes, de Maringá/PR

Fevereiro/2017 – OldPony, de Mogi-Guaçu/SP

Março/2017 – Corvo Caolho, de São Caetano do Sul/SP

Abril/2017 – Philip Mead, de Hortolândia/SP

Maio/2017 – Yggdrasill, de Curitiba/PR

Junho/2017 – Lord, de São Paulo/SP

Julho/2017 – Skald, do Rio de Janeiro/RJ

Agosto/2017 – Sea of Velho Mundo, do Rio de Janeiro/RJ

Setembro/2017 – Zamith, de Queluz/SP

Outubro/2017 – Gjallarhorn, de Mogi das Cruzes/SP

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